Noite de chuva e frio
traz no seu regaço o espetáculo ao Cineteatro Messias de Rui Reininho (harmónica;
voz; sinos), e seus pares dos quais se destaca um ex-GNR Alexandre Soares
(harmónica/ guitarra elétrica) e Rui Maia nos teclados e na bateria Gil Costa.
Nada faria prever que este concerto fosse a antítese dos que têm promovido o
“20.000 Éguas Submarinas” a segunda relíquia a solo do cantor e performer do
Porto; isto, porque desde o início que
se destacou de canção para canção uma harmonia perturbante alicerçada em
códigos sejam rítmicos e ou modulares, mas que dada a complexidade dos acordes
do Alexandre Soares, este revira o blues e ou o noise, como sendo uma segunda alma que
se instala e envenena tudo ao seu redor; enquanto o Rui Reininho deambula
alegremente canção após canção-- chegaram a sair pessoas e o teatro já meio
vazio ainda mais vazio ficava-- como se a música tivesse o poder de afoguentar os
que esperavam um alinhamento à GNR destes tocaram “Piloto Automático” e “Sete
Naves” naturalmente irreconhecíveis mais uma vez o que se destacam são as cores
negras, durante a primeira ainda houve quem fizesse de corista “vodka, vodka”.
Numa altura do ano em que as publicações fazem contas aos melhores do ano ao
vivo poder-se-á colocar este concerto no top dos primeiros, mas não primeiro
por ser primeiro, antes porque foi épico, e este facto não é somenos é antes de
mais histórico que dois GNRs ainda tenham a virtude de revelar algo que se
encontrava de alguma forma encoberto aos nossos ouvidos. Parabéns.
Rui Reininho, 20 de
Dezembro, 20.000 Éguas Submarinas, Cineteatro Messias, Mealhada.
P.S- Em memória do meu
falecido pai.