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terça-feira, 7 de julho de 2015
segunda-feira, 18 de maio de 2015
domingo, 17 de maio de 2015
Death of a Salesmen
A discoteca States em Coimbra tem como cartaz da noite: “Victor Torpedo” e o seu espectáculo “Karaoke”, que celebra a edição do duplo “Raw”, primeiro trabalho a solo de Victor Torpedo. O músico de Coimbra passeia-se entre os presentes como se fosse mais um conviva, para quem tem no currículo bandas como os Parkinsons ou Tiguana Bibles seria perfeitamente normal que estivesse no camarim a concentrar-se para enfrentar o palco, isto revela uma atitude profundamente punk. Victor Torpedo vai “tocar” dezasseis canções, o “tocar” não é ingénuo pois na verdade as canções serão debitadas de um computador directamente para as colunas da States. O primeiro tema é um instrumental denominado “Congo”, corresponde a uma melodia exótica vinda de África, “stereo”, enquanto Victor Torpedo dança fora do palco. “So dead” abre a porta a uma melodia que advém da cidade de Manchester mas quando na década de noventa foi invadida pelos Stone Roses ou Happy Mondays. A Pop com contornos clássicos melancólicos são devidamente delineados em “Ways to Go”, que encontra Victor Torpedo a cirandar pelo público a cantar: “Sick of myself”; senta-se no palco: “I`m sick of the world”. Antes da quarta canção “About Life”, Victor Torpedo faz a declaração da noite sobre um dos seus heróis de infância: “O B.B King morreu e eu não posso fazer nada”. O que emitem as colunas é uma canção Pop que é preponderantemente low fi, isto oferece-lhe um carácter efectivamente kitcth, os versos versam “pictures of you”; no ecrã passeiam-se descapotáveis em L.A, “you can dream”, ouve-se o feedback do microfone, este som é provocado pela agressão do Victor Torpedo, “like you and me”, retira do bolso do casaco um pente e penteia a poupa Elvis Presley. Antes de “By Me”, Victor Torpedo revela algum desconforto: “Daniel isto está estranho; tá tudo bem por aí?”; o baixo eléctrico é de uma relevância constante, doseado numa frequência próxima à dos Joy Division, no ecrã surge uma manifestação gay com as suas bandeiras coloridas. Victor Torpedo canta: “They are calling for us”; “tonight”; “ride”, finaliza a canção fixando-se no palco como uma estátua que se sente tolhida pela realidade. A sexta canção é “Control”, remete melodicamente para a Pop em que as guitarras dengosas ressoam sobre o baixo grave e assertivo, uma celebração negra que instaura gradualmente uma alegria insuspeita, “take me to a place that I know”; no ecrã surge um rapaz tímido e solitário, “you control me”; “show”; “you control me”. Victor Torpedo agride o microfone que projecta um estardalhaço. O psicadelismo Pop domina “Confessions”, disso são exemplo as guitarras progressivas sobre um ritmo repetitivo, “cry”, algo que obriga à dança, “I`m sick of the world”; “life of lust”. Sobre o seu currículo de galã rockabilly Victor Torpedo é assertivo: “Nos anos oitenta eu e o Pedro papávamos tudo; era diferente nos anos oitenta!”. Na oitava canção “Out of Fasion”, o ritmo dançável mistura-se com um baixo corpulento, “or take your style”, Victor Torpedo encontra-se no meio do público a incitá-lo para que cante, há uma jovem que arrisca: “Fohografa”; Victor Torpedo: “Their`s time”. A nona canção “Beautiful Violence” é dominada por guitarras semi-distorcidas mas remetidas para uma produção low fi: “I`m never alone”; “sad”; “you and me”; “scream”; “love and hate”. A décima canção da madrugada é “I Agree”, que prolonga a vertente low fi decadente da anterior, com as guitarras a pronunciarem-se na vertente Pop.“Only Ghosts” tem um groove repetitivo que se instala em loop. “Meet my Tribe” é alicerçada num beat africano, “tribe”, que tem uma progressão Talking Head, “meet my tribe”; Victor Torpedo encontra-se próximo de uma jovem empunha-lhe o microfone e esta uiva: “AAAAA”. Antes da décima terceira canção “Oh ah Yoush”, Victor Torpedo questiona o público: “Querem mais? Eu toco mais quatro ou cinco, estou-me a cagar!”. A melodia Pop é imposta pelas guitarras eléctricas que se impõem como denominador comum e sobre as quais Victor Torpedo repete: “Oh ah youh”, num dueto absurdo divide o microfone com uma loura que enverga um vestido negro que não lhe encobre o colo bronzeado. Victor Torpedo faz vibrar o público com a sua determinação: “Tenho que cantar mais cinco!”. “Common” é dominada por um twist kitsch, Victor Torpedo empunha o microfone a Carlos Subway que grita: “AUIUI”. Victor Torpedo coloca o micro na boca e exercita o corpo através de flexões ao ritmo do twist, o dueto improvável mantém as suas coordenadas no grito latino: “UUU”; Victor Torpedo: “Common”; Carlos Subway: “AIAU”. Victor Torpedo repentinamente despe a camisa, “uuu”, atira-se novamente ao chão para completar as flexões; Carlos Subway: “AIAI”. Victor Torpedo em pé coloca o microfone sobre o coração como se estivesse perante um pelotão de fuzilamento. Antes da penúltima canção “Dawn of the Day”, Victor Torpedo veste o blazer escuro sobre o tronco nu, a Pop é orientada pelo baixo eléctrico a partir do qual flui a melodia low fi, no ecrã surgem militares a marchar, a bandeira dos Estados Unidos dança ao sabor do vento quente. “Bring your poison”. Por fim Victor Torpedo comunica: “Toco mais quatro?”; dedica, “Il est dejá Trop Tard” ao “B.B King que morreu hoje”. Composta por um ritmo dançável a partir do qual emerge o blues com origem nas alucinações de Tom Waits. Victor Torpedo de tronco nu: “Il est dejá trop tard”, é correspondido pela loura de decote que o perseguiu durante a apresentação de “Raw” na States. Victor Torpedo é taxativo quanto aos seus intentos de incansável crooner: “Vou tocar mais quatro, e vocês vão para o caralho!”. Repete: “So dead”. E finalmente assume: “Não sei se está é a última” e “queria dedicar esta canção ao Pedro Antunes e ao Chau e ao Carlos Dias [Subway]”.
Victor Torpedo, “Raw”, 15 de Maio, States @ Coimbra
Victor Torpedo, “Raw”, 15 de Maio, States @ Coimbra
segunda-feira, 15 de setembro de 2014
Man on the Moon
O espetáculo conceptual, do artista Victor Torpedo, “Karaoke”, tem como princípio a emissão de canções pré-gravadas, que estão em sintonia com um ecrã, onde surgem imagens com as letras das canções escritas pela estrela Pop conimbricense. Victor Torpedo veste calças pretas, o blazer esconde a camisa com a paisagem de uma floresta tropical, e enquanto canta para o microfone, a declaração de guerra, “so dead”, invade a cadeira vazia que se encontra numa mesa de um casal romântico. As luzes estáticas da Casa Havanesa ilumina os seus rostos, que encobrem um espanto difícil de digerir, desenham um sorriso tímido e ela mete a palhinha, mergulhada num bebida exótica, entre os lábios. No ecrã surgem homens a dançar ao ritmo de “So Dead”, que versa uma decadente “Madchester”, quando a água ganhou um companheiro chamado ácido. “Sick of myself”. A terceira canção, que evoca a alma indie de Manchester, dominada pela guitarra de Johnny Marr, dedica-a, “esta é para o Eurico”; Victor Torpedo rodopia como se tivesse uma multidão infinita à sua frente. Por vezes Victor Torpedo abocanha o microfone evocando um canibalismo Sci-fi, e no ecrã surgem senhoras de saia e casaco que bebem Coca-cola. Enquanto Victor Torpedo despe o casaco, a canção é de uma melodia fúnebre, sublinhado pelo pendor tétrico do baixo, “they are calling for us”. Victor Torpedo sobe para o cimo de uma cadeira, e como que por encantamento, vê uma multidão de fãs, que gritam: “Victor Torpedo! Victor Torpedo! Victor Torpedo!”. E responde-lhes: “Why people die?”. A quinta canção leva-o a roubar o copo exótico, à tímida e entediada jovem, o companheiro não reage. Posteriormente surge Eurico com dois copos de shot cheios de sangue, entrega o copo a Victor Torpedo, elevam-nos ao ar e emborcam-nos num folego. Victor Torpedo canta sobre uma tragédia diária: “no time for fun”. A sétima canção, é descrita por Victor Torpedo: “É ainda mais triste. Obrigado Figueira, vocês estão todos felizes”. O tema versa um universo electrónico com harmonias sugeridas pelos Electronic, mas exploradas numa perspectiva kitsch. Há ainda a destacar a hipnótica “Meet my tribe”, que é cantada como se Victor Torpedo fosse um robot sobrecarregado com sentimentos dos humanos. Na canção, em que surgem no ecrã pessoas a dançar ao ritmo do twist, Victor Torpedo empunha o microfone a um homem que tem um boné branco, que surgiu do chão através de um inexistente alçapão, este retira do bolso do casaco de basebol americano colheres reluzentes, transforma-as num objecto musical de precursão, irrompem cavalos a ser esporeados por cavalheiros à caça de peles vermelhas, e Elvis Presley canta através de Victor Torpedo. O músico que não foi convidado a aparecer autointitula-se: “Jimmy Spoon” e tem “71 years old”. E recebe uma misericordiosa salva de palmas por parte dos presentes e dos ausentes. Victor Torpedo declara que já só faltam, “três ou quatro canções”, para o fim da sua performance na antiga livraria Casa Havanesa, durante as quais, expurga um contínuo e sedento desejo de extroverter o conflito entre as inúmeras personagens que compulsivamente o dominam, relegando-o para uma inexpugnável elegia ao absurdo.
Victor Torpedo, “Karaoke”, 12 de Setembro, Casa Havanesa @ Figueira da Foz
Victor Torpedo, “Karaoke”, 12 de Setembro, Casa Havanesa @ Figueira da Foz
segunda-feira, 16 de junho de 2014
terça-feira, 24 de setembro de 2013
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
Zoo TV
A tribo que surge no ecrã dança em redor de um objecto sagrado em tempos sacrificado em nome da paz de espírito. Este ritmo é devidamente processado por uma métrica digital. O cantor, que ocupa o palco vazio do Beat Club, segura o microfone, veste casaco branco e calças de ganga e sapatos castanhos, anteriormente conhecido como the one and only Victor Torpedo que abana as ancas e o microfone como se fosse um órgão inumano, a voz canta num registo “feling dizzy”, “feling alive”, o meio tempo do beat é continuo relegando a tribo para um ponto abstracto no futuro. Na segunda canção, o beat convida à dança num salão inundado por uma espuma ácida e a guitarra emerge impondo-se à fluência rítmica. A voz de Victor Torpedo rasga a garganta em cada palavra “it´s over” , “OOO”, dança, no ecrã surge uma família tipicamente afro-americana com os valores de uma texana. A voz punk “out of control”, “it`s over”, surgem no ecrã blacks embriagados à volta de um fogareiro com cadáveres do reino animal. Victor Torpedo senta-se na margem inferior do ecrã: “I ` m sick of the city”, a hipérbole: “I`m sick of the world”, a progressão estabelecida pela guitarra manejada por Johnny Marr (“AAAA”) aprofunda a vertente kitch. Na terceira canção, a programação corresponde a um ritmo curto perturbado pela cadência jungle, que acelera a narrativa com o baixo a intrometer-se a expandi-la explosivamente transformando-a numa melodia pop. Victor Torpedo instala a anarquia “people kill people” e bate duas vezes com o microfone sobre o peito. “Die”. “People kill people”. O ritmo misturado (jungle) com a melodia (dark) impõe uma progressão continua que resulta na hipnose. Palmas. “Arigato”. Na quarta canção, o beat mistura-se com o teclado perversamente OMD, no ecrã surgem humanos em férias “you and me”, “from the shadows”, a melodia é allegro ma non troppo, “like you and me”. A melancolia é inebriante com perspectiva sobre a vertigem “runaway”, “of our lives”. Victor Torpedo isola-se no palco, sentando-se como se estivesse à espera do medo. “Of our lifes”. O Pedro Calhau, que se encontra na pista de dança, movimenta-se ao ritmo de cada sad beat revelando que se encontra no interior da narrativa, “of our lifes”. Na quinta canção Victor Torpedo convoca New Order mas refutando uma mimésis melódica. Victor Torpedo ou a personagem que o representa e que tem uma identidade abstracta canta: “Now is time”, “ We don`t care”. O baixo de Peter Hook domina a melodia do sexto tema conspurcando-o com o suicídio associado a Joy Division. “No friends”, o baixo suicida sobrepõe-se à melodia cool kitch “you can show”, “their`s no escape” , “you can show” , no ecrã surge Ellizabet Taylor fardada de egípcia. Victor Torpedo ou a personagem que o representa senta-se sobre o monitor que transmite a informação para os seus ouvidos, o baixo processado digitalmente sobrepõe-se à textura pop, a voz punk é assumidamente punk: “I`m sick of the world!”. Na sétima canção, Sua Majestade Victor Torpedo dirige-se directamente ao público que ocupa a pista de dança do Beat Club: “Olá Leiria!”. A guitarra semi-distorcida é gradualmente triturada pelo beat com a conivência do baixo em slow motion. Victor Torpedo dança de costas para o público ensaiando uma gestualidade digna de Elvis Presley após o consumo de comprimidos tóxicos regados a champagne bebido do salto alto de Marilyn Monroe. A oitava canção é construída a partir de um beat allegro mas que não esconde uma melodia doentiamente triste, a estrela da noite canta: “Look at my eyes”, “my TV”, “you and me”. Uma espontânea rouba um dossier que se encontra sobre o palco, Victor Torpedo: “love and hate”, “it`s just a beautiful vírus”, a melodia corresponde a uma textura de lava a arrefecer: “”When you are around”. No nono tema sobrepõe-se um baixo pungente “I belive”, senta-se sob o ecrã “give me”, a programação harmónica impõe-se melodicamente “I belive”, mas o baixo assume-se como o ponto central de um remoinho matematicamente criado para induzir o desconforto que o distanciamento provoca no espectador. “Esta é fodida!” o beat da décima canção corresponde à imagem de um elefante cria a saltitar num estúdio de Walt Disney. Victor Torpedo é assertivo: “You can see the pictures on the walls”. Resposta de um ser superior: “I can see behind the walls” a canção impõe a dança às ancas adornadas para engatar. “Os one man band acabaram! Agora é só ´Karaoke`”. A radiação nuclear de “Meet my Tribe”, estabelece um groove tribal, uma decomposição à Suicide. Victor Torpedo é o chefe e o membro da tribo e dança como se estivesse a encarnar em Morrissey num barbecue vegetariano. A voz é grave “meet my tribe” mas melodicamente outonal “meet, meet my tribe”, o ritmo dub-tribal ganha uma dimensão digital e os exploradores fecundam as mulheres autóctones. O beat é contínuo e progressivo e Elvis descobre-se através da gestualidade exagerada e a sua voz é uma perturbação instituída pela angustia que o grito revela: “Meet my tribe”. “Meet my tribe”. Victor Torpedo dispara sobre o peito a cabeça do microfone que sangra os tímpanos do público “sun” , “meet my tribe”, “AAAAA”. “Até o [The Legendary] Tigerman vai ser `Karaoke`”. E isola a presente “Tracy Vandal a primeira ´Karaoke` soul de Portugal”. No décimo segundo tema há o predomínio da decoração do sintetizador que se sobrepõe ao beat e expõe uma fluência perversamente Duran Duran quando ecoavam na MTV através de “Rio”. “OOO”. “OOO”. O décimo terceiro tema é numa imposição puramente e falsamente rock and roll com ácido nas rolling stones. “IAAA”. “Get out”. A mecânica do décimo quarto tema é dominada pelo baixo “let´s”, “off the world” surgem no ecrã militares a marchar sobre Paris “off the world”, “girl”. O baixo bombeia sangue para a melodia e Victor Torpedo dança ao ritmo da marcha fúnebre, “girl”, a violência associada a um amor eterno: “Let´s make explotions”, a frase chave “let`s make some love”, “I don`t know”, “I don`t even even fuck”, “just a girl”. O ritmo da décima quinta canção é um beat que é acompanhado por um efeito especial denominado de fuzz que aclara a consciência hipnotizada da audiência. Victor Torpedo dança no meio do público, o predomínio do baixo é como uma corda atravessada por um trapezista a partir da varanda de onde o Papa Francisco influência o Mundo. “Déjà vu”, “trop tard”. Victor Torpedo mete a mão no bolso do casaco branco, que se sobrepõe a uma camisa com cowboys rendados, e retira um pente. “Il est trop tard mon ami”. E quando penteia a poupa surge a personagem que resulta do somatório entre Morrissey e Elvis Presley, a melodia resulta numa convergência de perspectivas atingindo o climax através de um choque frontal. Pedro Calhau despe as calças pretas e exibe o seu traseiro como símbolo da anarquia social “mes amis merci”.
Victor Torpedo, “Karaoke”, 21 de Setembro, Beat Club @ Leiria
Victor Torpedo, “Karaoke”, 21 de Setembro, Beat Club @ Leiria
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