sábado, 18 de julho de 2026

Einstein on the Beach

Na Figueira da Foz, a praia do relógio, está repleta de casais que esperam por Sting, acompanhado por dois músicos: Dominic Miller na guitarra e por Chris Maas na bateria, a digressão tem o nome de 3.0. Poderá ser apelidada de uma formação minimal e que tal afectaria a canções do cantor inglês, excepto as dos Police que como é sabido eram um trio; e é com uma canção da sua ex-banda que inicia o espectáculo, “Message in a Bottle”, é recebida por uma histeria contagiante que abafa o som das colunas. De seguida tocam um slow denominado de “I Wrote Your Name (Upon My Heart) que é no mínimo soporífera, depois passam elegantemente por “If I Ever Lose My Faith in You” ou “English Man in N.Y” e a uma outra dos Police “Every Litle Thing She does is Magic” com groove, e regressa ao seu repertório: “Fields of Gold” , no mínimo brilhante, “Never Coming Home” somente entediante, “Mad About You” de facto hipnotizante. Junta duas canções dos Police “Wrapped Around Your Finger” e “Driven to Tears”, a primeira parece escrita por um marinheiro no alto mar, a segunda é puramente new wave com inúmeros solos de Dominic Miller. A melancolia é exacerbada em “A Thousand Of Tears” que entra em confrontação “Can´t Stop Losing” mais uma dos Police arrematada por uma improvisação. “Shape Of My Heart” e “Brand New Day” , a primeira é de melodia viciante a segunda é de uma alegria contagiante. As três finais “So Lonely” (dos Police), “Desert Rose”, “Every Breath You Take” (dos Police), a primeira é quase um reggea com uma letra e refrão repetitivo, a segunda é de um exotismo delirante, a terceira é pop com a entoação acertada de Sting, que apesar dos setenta e quatro anos revelou uma voz potente, digna de um jovem. Para o encore executam “Roxane” (dos Police) aproximando-se do original e “Fragile” um slow com o Sting à guitarra acústica.

Sting, 3.0 Tour, 17 de Julho, Figueira da Foz, Praia do Relógio

sexta-feira, 20 de março de 2026

Susan Sontag

 O tecelão que se encontra atrás da bateria de Simon Gilbert dos Suede são duas carcaças entre as quais deveria constar Brett Anderson tal como está no seu último álbum de originais “Antidepressants”. O artista plástico Francis Bacon fez uma fotografia similar e usou por diversas vezes as carcaças nos seus trabalhos como se fossem peças que de nada tinham de decorativo, antes, lembravam a morte do irracional, de seres que nasceram para serem consumidos. Para além disto, era comum a deformação dos corpos humanos pintados por Bacon, como se fossem elementos que estivessem numa dor inexplicável, colocava-os num redondo que poderia ser um palco. E é deste que surgem os Suede pode-se comparar a entrada em palco de Brettt Anderson a constantes movimentações tanto do género masculino ou do feminino, faz dele uma das personas que tanto Bacon pintava, seguido por Matt Osman (baixo eléctrico), Richard Oakes (guitarra elétrica), Neil Codling (guitarra, teclados, coros). Os Suede iniciam o concerto com duas novas canções “Disintegrate” e “Antidepressants” mas a histeria instala-se no público com “Trash”, “Animal Nitrate”, “We Are The Pigs”, para refrear em “Personality Disorder” ; para retomar a convulsão no público com “Sabotage”, “New Generation”, ou a incendiaria “Filmstar”e no decorrer do concerto a surpresa da noite com “The Wild Ones” com a guitarra de Richard Oakes e a voz sentida de Brettt Anderson a afastar o microfone da sua boca para que o público tenha uma percepção da sua voz sem estar ligada à corrente e esta é belíssima, seguida de “Everything Will Flow” um hino pop, o trio final não poderia ser tão explosivo quanto o inicio do concerto “So Young”, “Metal Mickey”, “Beautiful ones”,  a banda recolhe-se para finalizar com “Dancing With The Europeans”.  

Suede, 19 de Março, “Antidepressants: Dancing With The Europeans Tour”, Super Bock Arena, Porto.


domingo, 21 de dezembro de 2025

 






O Nu

Noite de chuva e frio traz no seu regaço o espetáculo ao Cineteatro Messias de Rui Reininho (harmónica; voz; sinos), e seus pares dos quais se destaca um ex-GNR Alexandre Soares (harmónica/ guitarra elétrica) e Rui Maia nos teclados e na bateria Gil Costa. Nada faria prever que este concerto fosse a antítese dos que têm promovido o “20.000 Éguas Submarinas” a segunda relíquia a solo do cantor e performer do Porto; isto,  porque desde o início que se destacou de canção para canção uma harmonia perturbante alicerçada em códigos sejam rítmicos e ou modulares, mas que dada a complexidade dos acordes do Alexandre Soares, este revira o blues  e ou o noise, como sendo uma segunda alma que se instala e envenena tudo ao seu redor; enquanto o Rui Reininho deambula alegremente canção após canção-- chegaram a sair pessoas e o teatro já meio vazio ainda mais vazio ficava-- como se a música tivesse o poder de afoguentar os que esperavam um alinhamento à GNR destes tocaram “Piloto Automático” e “Sete Naves” naturalmente irreconhecíveis mais uma vez o que se destacam são as cores negras, durante a primeira ainda houve quem fizesse de corista “vodka, vodka”. Numa altura do ano em que as publicações fazem contas aos melhores do ano ao vivo poder-se-á colocar este concerto no top dos primeiros, mas não primeiro por ser primeiro, antes porque foi épico, e este facto não é somenos é antes de mais histórico que dois GNRs ainda tenham a virtude de revelar algo que se encontrava de alguma forma encoberto aos nossos ouvidos. Parabéns.

Rui Reininho, 20 de Dezembro, 20.000 Éguas Submarinas, Cineteatro Messias, Mealhada.    

P.S- Em memória do meu falecido pai.

sábado, 29 de novembro de 2025

A Criança

“A Quarta Parede” assim se denomina o espetáculo decorrente de uma residência artística entre Rui Reininho, Rita Braga e Leonardo Pinto na Casa Varela em Pombal. Usei o termo espetáculo mas poderia ter usado as designações teatro ou happening; mas vamos por partes: é dominante o espetáculo musical, e se inicialmente o público não batia palmas no fim de cada tema, isto devia-se ao facto das canções não terem uma estrutura convencional e limitarem-se a apontamentos dos três elementos que conjugados não se resolviam ou dissolviam em que género musical se encontravam a praticar. Teatro porque cumprem-se as regras do teatro musicado com as duas personagens a serem relegadas para um segundo plano dada a excentricidade do Rui Reininho, e neste capítulo há uma cantoria Rita Braga, e um dueto desta com Rui Reininho em “7 Naves”. Não devo esquecer que estas canções tinham como base o baixo e ou a guitarra elétrica do Leonardo Pinto que era introduzido em loop, para além do momento teatral em que se dirige para o público e quebra a quarta parede.  Happening porque o que decorre da ação teatral é maioritariamente um improviso, e isto é transversal à “Quarta Parede”.

A Quarta Parede, 29 de Novembro, Auditório Municipal de Pombal, Pombal.

Einstein on the Beach

Na Figueira da Foz, a praia do relógio, está repleta de casais que esperam por Sting, acompanhado por dois músicos: Dominic Miller na guitar...