ROMANTA
PopBlog
domingo, 21 de dezembro de 2025
O Nu
Noite de chuva e frio
traz no seu regaço o espetáculo ao Cineteatro Messias de Rui Reininho (harmónica;
voz; sinos), e seus pares dos quais se destaca um ex-GNR Alexandre Soares
(harmónica/ guitarra elétrica) e Rui Maia nos teclados e na bateria Gil Costa.
Nada faria prever que este concerto fosse a antítese dos que têm promovido o
“20.000 Éguas Submarinas” a segunda relíquia a solo do cantor e performer do
Porto; isto, porque desde o início que
se destacou de canção para canção uma harmonia perturbante alicerçada em
códigos sejam rítmicos e ou modulares, mas que dada a complexidade dos acordes
do Alexandre Soares, este revira o blues e ou o noise, como sendo uma segunda alma que
se instala e envenena tudo ao seu redor; enquanto o Rui Reininho deambula
alegremente canção após canção-- chegaram a sair pessoas e o teatro já meio
vazio ainda mais vazio ficava-- como se a música tivesse o poder de afoguentar os
que esperavam um alinhamento à GNR destes tocaram “Piloto Automático” e “Sete
Naves” naturalmente irreconhecíveis mais uma vez o que se destacam são as cores
negras, durante a primeira ainda houve quem fizesse de corista “vodka, vodka”.
Numa altura do ano em que as publicações fazem contas aos melhores do ano ao
vivo poder-se-á colocar este concerto no top dos primeiros, mas não primeiro
por ser primeiro, antes porque foi épico, e este facto não é somenos é antes de
mais histórico que dois GNRs ainda tenham a virtude de revelar algo que se
encontrava de alguma forma encoberto aos nossos ouvidos. Parabéns.
Rui Reininho, 20 de
Dezembro, 20.000 Éguas Submarinas, Cineteatro Messias, Mealhada.
P.S- Em memória do meu
falecido pai.
domingo, 30 de novembro de 2025
sábado, 29 de novembro de 2025
A Criança
“A Quarta Parede” assim
se denomina o espetáculo decorrente de uma residência artística entre Rui
Reininho, Rita Braga e Leonardo Pinto na Casa Varela em Pombal. Usei o termo
espetáculo mas poderia ter usado as designações teatro ou happening; mas vamos
por partes: é dominante o espetáculo musical, e se inicialmente o público não batia
palmas no fim de cada tema, isto devia-se ao facto das canções não terem uma
estrutura convencional e limitarem-se a apontamentos dos três elementos que
conjugados não se resolviam ou dissolviam em que género musical se encontravam
a praticar. Teatro porque cumprem-se as regras do teatro musicado com as duas personagens
a serem relegadas para um segundo plano dada a excentricidade do Rui Reininho,
e neste capítulo há uma cantoria Rita Braga, e um dueto desta com Rui Reininho
em “7 Naves”. Não devo esquecer que estas canções tinham como base o baixo e ou
a guitarra elétrica do Leonardo Pinto que era introduzido em loop, para além do
momento teatral em que se dirige para o público e quebra a quarta parede. Happening porque o que decorre da ação
teatral é maioritariamente um improviso, e isto é transversal à “Quarta Parede”.
A Quarta Parede, 29 de
Novembro, Auditório Municipal de Pombal, Pombal.
quinta-feira, 30 de outubro de 2025
segunda-feira, 20 de outubro de 2025
Ente Querido
O Coliseu do Porto está
com lotação esgotada para celebrar os quarenta e cinco anos de carreira de uma
das grandes bandas deste país: os GNR. Mas ao se abrir o tecelão surgem três
rapazes a substituir os GNR, Lopo Romão, D. Sancho e o António Machado,
acompanhados pela dupla que acompanha o Grupo Novo Rock, Samuel Palitos (há dez
anos na bateria) e o recente Ben Monteiro (nos teclados/guitarras); o público
passa do êxtase para um nervoso miudinho, pois julgam verem a tocar os membros
da banda, e isto sucede durante a primeira canção “Espelho”. Os GNR originais
substituem os GNR infantes; e a partir daqui o concerto ganha uma forma nada
saudosista, mas é inevitável que assim seja, é impossível fugir aos êxitos,
apesar de começarem com “Bem-vindo ao Passado”, que é seguida de “Vídeo Maria”
que leva ao rubro o público, posteriormente “Caixa Negra”, e “Eu Não Sou
Ninguém” conta com a presença em suspenso no palco no interior de uma rede de
um contorcionista; seguem-se três canções extremamente populares, “Sub 16”,
“Mais Vale Nunca” e “Efectivamente” que são cantadas em uníssono com o público,
rendido desde que Rui Reininho, Jorge Romão e Tóli Cesar Machado surgiram em
cena. Rui Reininho dedica “Asas” “para os bombeiros” e o slow pop é acompanhado
com imagens do vídeo clip e ouve-se o canto de voz suave: “as asas servem para
voar”; seguem-se os acordes de “Pronúncia do Norte” que gera que se acendam os
telemóveis e que façam do coliseu um universo estrelado e as vozes suplantam a
do cantor, “é a pronúncia do norte”; destaco ainda “Tirana” a esquizofrénica
“Popless” ou a esvoaçante “Voos Domésticos” ou a pop “Cais”; “Bellevue” é
similar a ferro fundido que vai ganhar uma forma abstracta. “Morte ao Sol” é
uma sentença por cumprir mas que é paradoxalmente cantada pela maioria dos
presentes, “Sangue Oculto” um portento rock. “Las Vagas” é um transcendente delírio
synth pop como se fosse um sonho que gradualmente nos atrofia e
subsequentemente nos liberta e por fim é-nos permitido respirar. “Inferno” de
Roberto Carlos e de Erasmo Carlos é executada como se estivéssemos em LA; a
dupla que encerra a noite é “Ana Lee” e a inevitável “Dunas”, a
primeira revela-se através de um exotismo pop (cantada juntamente com o
público) e a segunda é uma canção de Verão e ao remeter para este universo é de
uma inusitada felicidade.
GNR, “OPERAÇÃO STOP”, 19
de Outubro, Coliseu do Porto, Porto.
domingo, 15 de junho de 2025
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