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sábado, 13 de julho de 2024

Poemas de Amor

Tarde luminosa na Praça de Comércio em Coimbra onde estão a tocar sobre um palco metalizado os Três Tristes Tigres a banda debita canções de carácter pop, mas não uma pop condicionada às demandas das rádios, antes apresentam um espectáculo sóbrio onde se destaca a voz melodiosa da Ana Deus e ainda a guitarra eléctrica do Alexandre Soares para além das letras das canções serem da Regina Guimarães.

Apesar da Ana Deus ter dito que o concerto era um “ensaio”; não se notou qualquer registo que tenha manchado negativamente o concerto, antes pelo contrário as dinâmicas entre os cinco músicos estiveram equilibradas, mas um dos pontos que se deve destacar é a introdução dos solos por parte do Alexandre Soares, que pontuavaí os temas com uma intensidade delicada quase como se estivesse a tirar pétalas de um girassol. Outro facto indesmentível é a luz que se transforma numa espécie de felicidade que transborda de canção para canção, sem lugar para cenários obscuros ou outros de similar teor, e as letras visam sobre uma perspectiva crítica sobre a sociedade.

A segunda convidada da tarde foi a Garota Não acompanhada por um coro de sessenta mulheres, que foram mais do que um coro, pois tiveram uma performance que coincidia com aquilo que cantavam e que eram leras que versavam sobre a rotina de uma ou várias mulheres. Mas o foco deve recair sobre a Garota Não, que curiosamente praticamente era também um membro do coro, que apoiada na guitarra eléctrica ou nos adufes foi cantando com um timbre quente, as suas observações e ou preocupações sociais; e a relação entre o coro versus a Garota Não teve momentos arrebatadores… 

 

Três Tristes Tigres + A Garota Não, 13 de Julho, Praça do Comércio, Coimbra.

sábado, 23 de abril de 2022

Stoner

O Teatro Aveirense apresenta os Três Tristes Tigres que no total são seis músicos ligados electricidade (excepto a harpista) dos quais se destacam os mentores: Alexandre Soares (guitarra eléctrica) e Ana Deus (voz) a linha que fluentemente apresentam é a da electrónica que progressivamente se torna ora incomodativa ora sedutora mas é nesta dualidade que se encontra um centro sonoro que se espraia com o intuito de se dividir entre o bonito e o belo e é este último que tem ascendência sobre o primeiro, mas esta beleza é incomodativa porque provoca inquietação que se de uma forma ou de outra é acutilante porque recorre à repetição para que assim seja passível de ser assimilada e nessa medida ter cabimento como estética que se liberta das suas condicionantes formativas (ou assim o pretende) e procura evolucionar num sentido que se estava proibido seria por falta de experiência por quem tentou bater nessa porta blindada e construir um fluxo que se corre para o mar (como sucede com os rios que nasceram para desembocar numa área bem maior e complexa), a amplificação de elementos que parecem ter origem numa tribo que consigna ao coração o seu poder supremo e que a partir do qual reconhecem à realidade um contexto que se imerso nessa complexidade detona numa violenta extroversão e que pretende revelar algo de novo que transmutará o espaço e o tempo em outros espaços e tempos que sucessivamente são o futuro e o passado num vórtice que não consegue fazer desaparecer o contexto em que a música faz ressurgir um outro presente, a documentação do tempo psicológico é um compasso que se reporta a inúmeras texturas numa continua circularidade que incute dois binómios: um segue por uma melodia que é (por vezes) de uma aspereza cruel e que detona um mal-estar que ninguém pretende prender ou segurar e segunda uma maliciosa melodia pulsante que irriga o corpo das canções, se há dissonância é num organigrama em que o organismo se contrai e desconstrui como se fosse o apelo sedutor da autocombustão deste efeito poderiam surtir diferentes sinónimos para justificar esse emaranhado distorcido que discorre no interior do absurdo, a lentidão liderada pela harpa consigna a algumas canções um misto de volúpia onírica pop que revela uma delicadeza que se fosse um sentimento seria o amor ou a perda desse (aparente) eterno sentimento mas a crueldade é revelada pela fragilidade da condição humana, o rock apresentasse segundo ditames que revelam a sua raiz é por sistema invertido e alterado para um registo que se revela numa máscara que é a da angustia ou do desespero que deliberadamente se entranham como se fossem um misto de veneno com água baptismal: esta viscosidade escorre tal ácido sobre um espelho e retalha-o segundo uma estrutura que faz emergir uma beleza profunda, se há espaço para que se reflicta numa turbulência pop/rock e surja um outro entendimento quer seja com os sentimentos seja com a realidade que a rodeia com a perspectiva de que há esperança para lá do reflexo…

Três Tristes Tigres, “Mínima Luz”, 22 de Abril, Teatro Aveirense, Aveiro.


Susan Sontag

  O tecelão que se encontra atrás da bateria de Simon Gilbert dos Suede são duas carcaças entre as quais deveria constar Brett Anderson tal ...