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domingo, 16 de dezembro de 2012
quarta-feira, 14 de março de 2012
terça-feira, 13 de março de 2012
Suicide
Noite quente de Inverno-Verão as estações andam travestidas de abstracções inseguras que levam a fé a torcer pela chuva. O Beat Club está imerso numa selva torrida, que faz o corpo derreter-se em cada minuto do penúltimo concerto da vida dos geniais Tiguana Bibles. A primeira canção é numa vertente maioritariamente Spaghetti western, com a guitarra de Torpedo a pronunciar-se através dos agudos procurando responder à de Augusto Cardoso, sobre um ritmo contínuo. “Hello, it’s fucking hot in here! ´Against the law`”. É a canção de uma delicadeza exuberante, com a voz de Bunny Lake a impor-se como o elemento que a cobre com uma melodia doce: “I found myself under the killing moon”, a banda segue a voz de Bunny Lake: “crush my body against the wall”, e quando deseja é sempre “soon”, e o desejo é asfixiante: “can`t wait any more”, as guitarras continuam o seu diálogo como se fossem dois membros do coro grego, mantêm-se expectantes: “it`s against the law this kind of love”. A incerteza e o medo de se ver vilipendiada por um sentimento que era uma ficção até ao momento , “The way I`m feeling about love”, síncope imposta pela bateria, “wrooong”, “up side down”, por vezes divide-se num outro microfone de onde sai uma voz compassada e máscula: “out of control”, languidamente: “it`s against the law”, a partir de “love”, o ritmo acelera e os solos de Torpedo e de Cardoso esquartejam-se intercaladamente e continuamente. Bunny Lake, no centro do palco, como uma estátua que luta para incutir nos ouvintes o amor: “it`s against the law”, “I`m feeling about love”, “I`m feeling about love”, “I`m feeling about love”. “Fuck me! This next song is called ´Rebound`”, a bateria através dos bombos insere o ritmo vibrante típico da pólvora seca, solos das guitarras a imporem a desagregação do equilíbrio ou deste ser promovido a partir de alfinetes a perfurar a carne macia, “street”. Bunny Lake levanta o braço esquerdo à altura do ombro, e a lamúria é um convite a ouvi-la: “stop this rebound”, a guitarra repete os acordes do refrão sobre a síncope dos bombos, “rebound”, “I can`t stop this rebound”, “I can`t stop this rebound”. “I have no interest in stories that I haven`t been told in books”, despe o casco de lantejoulas e releva um macacão preto com decote exuberante. Break da bateria com as guitarras a verter uma lascívia próxima da protagonizada por Johnny Marr pontuadas pelo travo trágico de Jonny Cash: “Why can I say it`s all in the books”, “I don`t care anymore”, “Their`s no escape in my life” entrecortada por um solo de guitarra que sobe a escala para fazer o mesmo movimento no sentido oposto. “Anymore”, “the words you say”, “I don’t care anymore”, “in my life”. “All can be a little more closer. He is [Panda, o homem do baixo] still in the fifties, it`s like Sting. Dirty ladies”. O ritmo é acelerado, “playing with the devil”, com a voz de Bunny Lake com os agudos mais fechados a adornar os “ing” , com a angústia: “working for the devil”, “apart”, “I don`t now”, solo ominipresente de Torpedo, sobre os breaks da bateria, “on my mind” (eco), a partir deste momento o Marr e o Cash fundem-se como ácido num copo de champanhe bruto. Bunny Lake, bebe água: “It`s fucking poison! I drink a lot of alcohol, It gives me a personality . It´s our first concert here and the last one”. Bateria sobre a qual a guitarra descarrega uma energia electrostática: “their`s one way to get me, you have to fall into my world”, guitarra, bombos, ritmo rápido, “heart to follow”, “waste all the time”, “tender eyes”, “please stay”, a certeza de uma mulher que deseja o desejado: “everything's gonna be all right”, o ritmo aumenta e as guitarras deflagram como se fossem tochas a verter chamas sobre os nossos ouvidos: “you have to fall into my world”, mexe o braço esquerdo e dança ao ritmo da sua prece: “out”, “work it out”, breaks vêem ao de cima, solo de Torpedo, “heart to follow”. Bunny Lake treina o português útil: “dá-me um cigarro por favor”, é socorrida por fãs sequiosas de lhe acender o vício. E a incursão pela língua latina continua na canção: “Meu amor”, com baixo de Panda a delimitar as fronteiras onde se inscreve um slow doentio não fosse cantado pela voz tropical de Bunny Lake: “I can`t get you out of my house”, o ritmo passa a binário, “you”, “AAAAA”, Bunny Lake senta-se e cruza as pernas, Augusto Cardoso abusa a melodia grotescamente, ao injectar um teclado travestido de tremelin, e por consequência os outros instrumentos ficam conspurcados com a sua súbita presença e transformam o Beat Club num baile de finalistas de cadáveres. O ritmo aumenta pontualmente, “meu amooor”, “don`t tell me, meu amoooor”, “I`m swimming in your sea”, “YOUR”, “oOOOO”, “you”, “you”, guitarras e bateria: “AAAAAA” (doce). “AAAAA” (doce). “AAAA” (doce). “AAAA” (doce). “Muito obrigado! So sorry I`m smoking! I love to smoke indoors. There’s nothing like this anymore in Britain”. A bateria abre espaço para a entrada da guitarra de timbre agudo, “misery”, pop-billy, “angles”, “words away”, refrão é quase explosivo: “just big explosions”, Bunny Lake abandona o palco e desloca-se por entre o público, como que a querer espalhar a sua explosiva sensualidade e desta forma impor-se à memória. “WE ARE EXPLOSIONS AND WE ARE BREAKING THE WALL, WE ARE EXPLOSIONS AND WE ARE BREAKING THE WALL”. “Fuck! Seriously I don’t understand why Madonna can sing for two hours! Right back to the start... I would like to dedicate this song to Jimmy and to dead Paul”. Palmas. “I want you far away from me”, “of my own”, “cigarretes”, ritmo 2x2 que com o baixo formam uma síncope angustiante, merecedora de um mergulho no ar no sentido da profundidade onde os micro-organismos impõe a sua natureza, as guitarras respondem com violência sanguinária. “Run, run to her town”, o convite é feito através de uma voz de veludo, que nos abre a porta para o precipício proporcionado pelo nada, “my tears won`t last”, e o seu convite à nossa fuga para “to see her”, e a resposta à sua solidão: “my heart only now”, descarga das guitarras com a de Torpedo a realizar um solo que sobe e desce a escala lentamente: “my tears won`t last”, o ciúme de Bunny Lake pelo ex-amante, “press on her”, “my body”, ele “you say to her”, “to me”, o convite à ordem: “Run, run to her town”. “I’m jealous of Portuguese girls: best skin and hair, and you don’t sweat”. A canção seguinte leva as portuguesas que se encontram na primeira fila do palco a dançar, à procura do primeiro pingo de suor que as suas peles brancas possam exalar. Proporcionado pelo ritmo rápido e pelos acordes das guitarras intercaladas em contínuos agudos, “close your eyes”, “soul”, “special”, “out of this world”, “soul”, “inside my soul”, solo de Torpedo resposta de Augusto Cardoso, “close your eyes”. Bunny Lake canta por entre o público, procurando “in your soul” alguma ordem num caos “you can see” eventualmente “heart in your soul” num “world” imaginário “artificial” como “heart of soul”, “love from me”, trágico: “inside my soul”, “inside my soul”, com as vogais cantadas de forma prolongada para nos levar para o fundo. A próxima canção é dominada por acordes puramente pop, mas há um senão, a tensão com que as guitarras libertam os acordes, de um teor sónico-épico e o refrão não poderia ser menos apropriado para sair de um transistor habituado a jogos de futebol: “sick of the world”, que envenena a canção: pop-sick, “soul”, os acordes da guitarra abrem espaço para a voz: “try”, solo de Torpedo a repetir as notas doces do refrão, 2x2, voz: “I want to tell you”, “I`m gona tell you the reason to cry”, “I`m sick of myself”, “hearts made of stone”, “mine”. O teclado leva a canção para uma introspecção insperada mas que gradualmente a afoga num lodaçal: “AAAAAAAAAAA”. “Ok! Last song”, segundo Bunny Lake: “Doors song with a help of The Beatles”, bateria, guitarra pop-rock-billy, “your heart against the wall”, e as ordens virão da determinação de Bunny Lake ao impor: “new orders will come from your heart”, que incendeia a plateia disposta a seguir os Tiguana Bibles para longe deste Beat Club. Voz + teclado fúnebre por contraposição à doçura tímbrica da deusa de um filme de Lynch onde a protagonista se revela numa outra personagem sempre que ouve no seu interior o eco do sintetizador de igreja que do vinho fez sangue.
In Loving Memory of Paul Hofner, Tiguana Bibles, 10 de Março, Beat Club @ Leiria
In Loving Memory of Paul Hofner, Tiguana Bibles, 10 de Março, Beat Club @ Leiria
domingo, 2 de outubro de 2011
sábado, 1 de outubro de 2011
Cunt Rock
O Ovni é uma entidade criada por extraterrestres. “This firts song is ´Against the Law`, don`t be scare”. A melodia é um diabo à solta vestido de saia, “crashing my bodie against the wall”, ritmo dois por dois, “I can`t wait no more”, o tempo é escasso, Bunny Lake: “Upside down”, “of life”, “out of control”, “against the law”, a tragédia cantada por um arcanjo de negro: “The way I feel about love”, o solo da guitarra contém o resumo da melodia e a partir do qual o ritmo acelera, “your kind of life”. A “ghost of the past”. “This next song is ´Rebound`”, soneto discreto quase infantil, esquartejado pelo ritmo marcial, golpe de Estado num país desértico, com a voz de Bunny Lake a encarnar as tágides fatais imersas em lavas negras que escondem as digitais, solo semi-distorcido, “I `m falling in your life”, a fatalidade: “I can`t stop this rebound”. Palmas. “Obrigada! This next song is about”, Bunny Lake despe o casaco que escondia uma t-shirt negra de alças que a cobre até as ancas, entre as quais consta uns hot pants de lantejoula, sobre o peito a branco está a inscrição: “I`m a Cunt”. E a partir daqui o diabo abandonou a floresta onde inverna e se diverte a devorar o seu semelhante, escravo da morte. “I don`t now wich words to use”, o eterno problema “you talk too much”, com o combo de guitarras e da bateria e do baixo a predestinar a canção na estética pop-billy, é relevante o solo de Torpedo em diagonal, “I don`t now the words to use”, surf-billy, “scape”. “Playing with the Devil”, ritmo dos bombos ecoa como uma bomba pronta a explodir no rosto dos presentes in States, Coimbra, está calor. A bateria de Kalo expulsa o diabo da pop para dentro de uma massa libidinosa, rock and roll. Bunny Lake levanta os braços acima da cintura, move-os paralelamente e simetricamente como uma boneca alimentada a luz lunar, as luzes multiplicam-na como um arco-íris filtrado por um diamante, o psicadelismo surge como figura de estilo, as responsáveis são as guitarras a disparar acordes paralelamente. “This next song is call ´One Way`”, a bateria carrega com o seu pendor hair heavy metal, as guitarras em suspensão, “Their`s one way to get me”, a percepção da saudade pertencente à não-inscrição: “You have to kill your sadness”, “around my soul”, há um feedback que se mantém estático no ar, “tender”, dois por dois, pausa, o feedback prolonga-se estaticamente a dominar a canção para a dinamizar, “heart to folow, I `ll reach your sorrow”, “please stay”, “please”. Tiguana Bibles atiram-se à canção tais cães de crómio, “everything is going to be allwright”, a bateria é de um potencia animalesca, rock, solo, bateria, voz: solos das guitarras em paralelo, “I”, bateria, solos, “all the time”, “please stay”, as guitarras carregam na velocidade, “I want”. Ovação. Slow, tremelim de fantasia, o refrão: “Meu amorr”, “don`t tell me how do I feel”, “meu amor”, “I`m swimming in your see”, a sua voz substitui o tremelim electrónico: “OOOOOOO”, as guitarras libertam-na do sofrimento, “loving you”, falseto: “OOOOO”. “Thank you Jimmy, who bring me roses! Before the concert! I never get flowers in this country! I didn`t even now if there is flowers in this country! I now you have spiders! But flowers! Thank you very much Jimmy!”. “Let´s make a deal put me out of misery”, “you have to find my angel”, as raízes do rock billy sobressaem na carne dos Tiguana Bibles, como uma serpente daninha, solo encarregado por Victor Torpedo, “now the stars are falling, I want to kiss you darling”, impregnado peloo tremelim electro do músico com o cabelo a encobrir-lhe o rosto, Agusto Cardoso de seu nome, e o baixo do Pedro Serra, sobressai. Bunny Lake, dança ao som da sua banda de bandidos encobridos pela noite, os acordes de Torpedo ocupam o espaço deixado vago pelo baixo: “Break the wall”, o refrão é magnânime: “We are explosions”, levanta os braços cobertos por luvas negras. A marcha fúnebre que se segue, “is about”, “I`m so happy to be”, “I want to be alone”, “from me and my house”, o dois por dois é tão lento, sobre o qual a banda equaciona uma progressão decadente. “My bass player wish he was a lady”, a ironia da musa. A abteria de Kalo dá o seu pulsar violento, guitarras, solo, “close your eyes”, speed-billy, “you can see”, “I`m special”, “soul”, guitarras paralelas, “inside my soul”, solo-Torpedo, solo da guitarra de Augusto Cardoso. Bunny Lake abandona o palco, dança, e canta junto ao público despe os saltos altos, “soul”, “come inside my soul” sobe à missula: “Love come inside my soul”. Dispara sobre Torpedo: “This guy plays the guitar and party! One more new, we like to experiment in people we trust”. A lírica: “I want to tell you, you are crazy to cry”, o vómito: “I`m sick of the world”, “of gold”, a bacteria corrosiva é a bateria que arrebenta como artilharia pesada, a intromissão do teclado fantasma adensa a melodia oferecendo-lhe a metáfora retro, “I`m gona to tell you”, o vómito: “I`m sick of the world”, “soul”, o ritmo aumenta, assim como a altura, “crazy”, teclado-baixo-bateria submergem a canção na enunciação. A confissão: “Just to see I was very scare for today. This is our last song”. “Surrender”, é apresentado através de um paladar épico, dramático: Bunny Lake de joelhos: “You push your hands”, “surrender”, bateria, “in you lips”, esquizofrenia, “surrender”, é o cunt rock fílmico, alteram o ritmo, “heart”, o teclado é o agente secreto, “heart”, “from your heart”.
In Loving Memory Of…, Tiguana Bibles, 29 de Setembro, States @ Coimbra
In Loving Memory Of…, Tiguana Bibles, 29 de Setembro, States @ Coimbra
quinta-feira, 3 de março de 2011
Painkiller
A baixa de Coimbra está desértica parece uma aldeia periférica, o casario é pobre e mal agradecido, há a Sanzala com prostitutas à porta, a falar com dois clientes. O frio marca zero graus sobre a minha carne fraca, o Rock and Roll é foda na certa, foi por isso que nasceu: os homens cansaram-se das putas. Salão Brazil é um dos edifícios que sobressai por entre montras com modelos com o nariz partido. O pé direito de três metros dá-lhe uma sumptuosidade inesperada, 22h30, hora marcada para matar saudade dos Tiguana Bibles, em especial da Child of the Moon, Tracy Vandal aka Bunny Lake a sua nova personagem. A banda, exceptuando Bunny Lake, sobe ao palco estreito iluminado de azul, e o instrumental que se segue é uma composição em que a bateria e o contra-baixo seguram o tapete enquanto as guitarras gingam, mutilando-se mutuamente na segunda parte da canção. Bunny Lake está ao rubro da sua sensualidade, vestido de preto e tem uma franja próximo das sobrancelhas sobre um rosto com base clara e lábios de vermelho, salto alto negro. O género que se segue é para ser transmitido através de uma luz branca de danceteria num clube soturno de Nashvile, “their`s nothing but a heart”, “run away”, “milky way”, “Child of the Moon”, de billy passa para hell billy. “Nice to see you, is Tuesday”, “So we been away for a while “, são as primeiras plavras da escocesa Bunny. “Don`t be too long”, “don`t waste my time”, “I `m coming home”, acordes de Rock and Roll clássico, pausa, speed, “I ´m coming home”, dois minutos de delirante Rock and Roll. Rufo da bateria, acordes das guitarras, o baixo electrico pulsa, surge a voz de veludo, rock, “don`t”, narrativa amorosa, “run away”, “from my heart”, “but don`t…”, “don`t”, blues-rock, solo minimal do Torpedo, pausa, “shadow”, a banda perde altura, a voz: “I saw in the streets”, o ritmo acelera, “run away”, “don`t”, “OOOO”, “OOOO”, “OOOOO”, “OOOOOOO“, “OOOOOOOO”. Victor Torpedo coloca à frente de Bunny Lake, um teclado dos anos setenta: “this is the first time, I have a instrument in front of me”. A canção tem um ritmo tétrico, que prevê que um crime se irá cometer em segundos, e notícia que um povo é livre pelos segundos que dura a noticia. Após terem aumentado o ritmo, o teclado surge como se fosse a voz de um tremelim, fantasmagórico, “don`t tell”, “I `m swimming in your seee”. “This next song is ´Against the Law`”, e canta: “I can´t wait no more”, “it´s against the law”, com um forte domínio da bateria que a retira da mediania, e lhe dá uma porrada Rock and Roll. Bunny Lake desclaça os seus tacones lejanos negros e avisa a plateia feminia: “DON`T steal IT”, surrealismo nonsense. “Books”, pop-narrativa repleta de acordes sonhadores que transmitem uma íris sem arco, um homem e a sua pistola: “you talk to much”, “What can I say?”, “I don´t care anymore”, “in my blood”, solo do Torpedo minimal. “I usually have a philosophy”, “my philosophie today is drink, drink, drink”. “Rebound” é freak, “I find myself in sleep”, banda joga em paralelos que se desarticulam e articulam contrariamente, “I can´t stop”. “Next song is going to be our next single; ´Surrender”, Kalo atira-se ao bombo, que treme, as guitarras intrometem-se, “you push my heart”, “surrender”, pop-billy, “surrender” ouvido na frequência do eco, “from my heart”, ecoa e substitui o refrão. “Play with Devil”, informa Bunny Lake, ritmo 2X2, rápido, alto e sequencial, após uma falsa pausa, a música arrebenta contra a parede e suja-a, Torpedo geme, Rock and Roll. “This is our last song”, slow repleto de doçura cândida e suspensa no ar: “By, by dreams”, “ I can feel”, “soul”, “and”, “by, by dreams”, “goodbye”.
Tiguana Bibles, 2 de Fevereiro, Salão Brazil @ Coimbra
Tiguana Bibles, 2 de Fevereiro, Salão Brazil @ Coimbra
sexta-feira, 14 de maio de 2010
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Heart Attack
Aveiro tem um canal por onde circulam durante o dia moliceiros, que no lusco-fusco são atracados na margem. O céu está negro, a lua está num vazio que se aproxima da solidão, a suprema invisibilidade. Mercado Negro, o local onde irão tocar os Tiguana Bibles, pelo bar, passeia, o baterista Kalo, veste blazer preto, todo o seu corpo é maciço, parece um pugilista que o Martin Scorsese filmaria. Ele é um dos primeiros a subir ao palco de uma sala rectangular negra com uma luz verde fixa sobre o tecto, e dois candeeiros de luz branca que ladeiam a bateria. O instrumental é um western hillbilly, com as guitarras a percorrerem o deserto de cactos que sangram se forem beliscados. Aparece Tracy Vandal, perfumada a Primavera, de preto, a camisa tem um lacinho branco sobre o peito, os calções que agigantam as pernas elegantes que calçam salto alto de agulha. “Be your wife”, “Want to be alone”, “run”, a bateria eleva o ritmo, e as duas guitarras canibalizam-se com parcimónia, mas é na contenção do baixo que está a chave para a obra dos Tiguana Bibles. A cantora despe o casaquinho, “there`s no home but a heart”, “Child of the Moon”, é uma besta ritmica onde as guitarras deflagram. “Yeah”, “The Sex Pistols”, ao terceiro tema deita-se sobre os degraus de madeira, e estira as pernas assumindo-se como uma bailarina que exala lascívia. Tracy: “A fucking bad thing is going to happen!”, e canta compenetradamente, “I found myself in the killing Moon”, “The night is young, please come soon”, “I Can´t wait no more”, “it`s against the law the way, I´m feeling about you”, “poor heart is out of control”, com o solo de Victor Torpedo a soar como um tremilim. As letras versam constantemente uma proibição, algo impede a cantora de alcançar o amor, é esse o enigma, a distancia que a separa de algo imaginário. Tracy Vandal: “This next song is about boobs”, slow-billy, “you talk too much”, “What can I say”, “I don´t care anymore”, “I can´t speak”, “I don´t care anymore”, num timbre acre-doce. “This next song is for our friend Paul, he decided to die last Week”, Paul era irlandes e guitarrista dos Tiguana, o seu coração parou a um Sábado. “There is no time for winters”, “bye, bye dream”, “goodbye”, “bye, bye girl”, “goodbye”. Tracy: “This is our next single ´Rebound`”, uma canção neo-pop-billy. O circulo completa-se numa perfeita difusão, Tracy assume o seu papel de guia, como uma serpente que nos dá a provar uma maçã envenenada: “Run”, “Won´t last too long”, “run to her town”, Tracy Vandal fecha os olhos, “heart only now”.
Rebound, Tiguana Bibles, Mercado Negro, 12 de Maio, Aveiro.
Rebound, Tiguana Bibles, Mercado Negro, 12 de Maio, Aveiro.
sábado, 31 de outubro de 2009
A Clockwork Orange
As propriedades detectadas neste corpo denominado de Tiguana Bibles destacam-se como um complot armado com doses de independência febril, que por vezes se encaminham para o abismo. O palco está montado na pista de dança da Via Latina, discoteca próxima da Praça da República, que agrega alguns bares onde os estudantes se drogam e embebedam, e discutem o improvável futuro, ou, as aulas na Universidade de Coimbra, o cérebro da Capital do Distrito. Tiguana Bibles começam com o instrumental que é uma passadeira por um deserto banhado por tubarões ensopados em sangue, pinga das guitarras, em particular da Victor Torpedo, um filho do tédio. A música ganha voz humana através de Tracy Vandal, e saia preta com riscas brancas, e um top, que é encoberto por um casaquinho, que encobre os seus ombros brancos. A sua voz é a lava de um vulcão que hibernou num Verão e se ausentou distraidamente, não para a terra do nunca, mas para a aridez que provocam os sonhos premonitórios que nos explicam a beleza. “IT´s against the law”, influenciar as pessoas a se auto-mutilarem, e a se canibalizarem e se exporem aos raios cancerosos. “Child of the Moon” é de compasso acelerado, com o contrabaixo e a bateria a imporem um pendor hell-billy, são o pulsar do edifício, que o fazem tremer mas em simultâneo são os seus pilares: Tracy: “OOOO”. Ela puxa a saia e a boca expande-se pelo microfone, os acordes de, “I Don`t care anymore”, saltitam de guitarra em guitarra, que se inclinam para a esquina onde espreita o rock à espera de violar uma idosa endinheirada, de saia e casaco, o clássico Coco-Chanel, “I Don`t care anymore”. Vandal bebe whisky, despe o casaquinho, ergue os braços e bate palmas, abana as ancas de costas para o público, “so run”, “so run”, “so run”, acordes surf-billy, a cantora retira o microfone do tripé. A movimentação no palco de Tracy, é de uma profunda sensualidade contaminada por uma ironia provocativa que é British. “I saw you in the streets”, mas não esqueças o covil que te aquece e que por natureza te irá transformar em cinza, numa auto-combustão que é um luxo para o portador desta doença rara, “don´t forget your home”, falseto: “I saw you in the streets”, e o impulso é para ser seguido através de um gráfico cardíaco de um hiper-tenso, foge, foge, “runaway from your hooome”, com os Tiguana Bibles, falseto: “UUUUU”, falseto, “UUU”, “UUUU”, “UUU”. “I only now tree words in Portuguese!”, alguém do público entrega-lhe toalhetes para limpar o colo suado, o seu rosto está maquilhado para realçar os lábios e os olhos, mas estes são dois pormenores que magnetizam o espectador. A introdução do oitavo tema é longa e compassada, num ritmo western-spagheti, oiço tiros, sangue, sangue, os bons os maus e os medonhos a cavar a sua sepultura, Tracy recorre à spoken word para narrar o sucedido, dos seus lábios as palavras brotam como se fossem pétalas embebidas num frasco de formol. É a altura para a autópsia realizada pelos solos de Victor Torpedo, que em ziguezague se multiplicam, a bateria de Kalo e o contra-baixo apoiam a guitarra, Tracy: “you”, falseto: “ouououou”, “aaaaa”, “aaaaa”. No primeiro encore a canção é lenta, pautada por “dreams”, e o falseto… “This is a song for all the Boys!”
“Child of The Moon”, Tiguana Bibles, Via Latina, 29 de Outubro, Coimbra.
“Child of The Moon”, Tiguana Bibles, Via Latina, 29 de Outubro, Coimbra.
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Blue Velvet
A lua envolve Coimbra exalando um perfume suave e intenso que se cola à pele lentamente. Circunda a arquitectura repleta de rugas impostas pelas estações, que durante o ano, se passeiam pelas ruas. A fuga é um acto falhado. O fado é o travo de um trevo que dá sorte por ser diferente dos seus idênticos, crescem à sombra das árvores centenárias do Jardim da Sereia, que a noite esconde, por ser um pulmão marginal. Acendem-se as luzes e a música, é um instrumental de contornos rock and billy, quando os brancos tomaram de assalto o blues e lhe deram um tempero mais agressivo, menos rural e consequentemente citadino. Entra uma mulher de franja, que lhe esconde os olhos e atira o rosto para o mistério que o conceito de beleza encerra. O seu corpo robusto, é vestido por uma seda de alças preto, que a cobrem somente até abaixo das ancas, as meias de licra calçam uns sapatos de salto alto metalizados. A sua voz é tão suave quanto volátil, “I now my faith”, “give a litle of your heart”, com as guitarras a deflagrarem em distorção, e o contra-baixo juntamente com a bateria a se justapor a este dueto. “It`s against the law”, “these kind of love”, “to feel the way, I feel about love”, com um ritmo marcial e as guitarras a ocuparem o espaço deixado vago pela voz para adensar a fatalidade da canção: “It`s against the law!”. “I `m coming home”, é a promessa, cantada por Tracy Vandal, é um convite irrecusável, atrevam-se a ouvir este canto e estarão próximos de um lar doce, doce, doce e febril, “don`t waste my time, I`m coming home.”. “And your blood is going cold tonight, bye (train), bye (train), bye (train)”, o início desta canção é pautada por um ritmo lento que nos mergulha num vácuo, mas as guitarras elevam-na para uma outra dimensão, como se um par de facas a esquarteja-se em pontos sensíveis e a perpetua-se para o épico, “goodbye train, he `s going to take you home.”. “There `s a place where lovers go, to cry their troubles away, and call it, lonesome town, where the broken hearts stay”, tão aveludado que se se entornasse sobre uma mesa seria um vinho espirituoso, degustado de olhos fechados veríamos um reduto onde o infinito impera. Tracy, “you are the first people to hear this song”, é a única canção que segue uma métrica pop, fugindo ao escrutínio das guitarras, “I don`t care anymore”, “I don`t care anymooooore”, “there is no escape in our lives”. O segundo instrumental leva Morricone a incendiar as suas pautas e dançar com uma amiga ao abrigo de uma lei que impõe à natureza o seu trágico circuito de renovação. “Lost words” é apresentada numa frequência mais lenta à sua congénere tocada inicialmente, Tracy, aproxima-se da boca de cena, senta-se, canta, abre as pernas, canta, fecha as pernas, e de joelhos desloca-se como uma escrava a cumprir uma promessa por uma santa: Blue Velvet?
“Child of the Moon”, Tiguana Bibles, Teatro Académico Gil Vicente, 24 de Junho.
“Child of the Moon”, Tiguana Bibles, Teatro Académico Gil Vicente, 24 de Junho.
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