Wednesday, March 2, 2011

Painkiller

A baixa de Coimbra está desértica parece uma aldeia periférica, o casario é pobre e mal agradecido, há a Sanzala com prostitutas à porta, a falar com dois clientes. O frio marca zero graus sobre a minha carne fraca, o Rock and Roll é foda na certa, foi por isso que nasceu: os homens cansaram-se das putas. Salão Brazil é um dos edifícios que sobressai por entre montras com modelos com o nariz partido. O pé direito de três metros dá-lhe uma sumptuosidade inesperada, 22h30, hora marcada para matar saudade dos Tiguana Bibles, em especial da Child of the Moon, Tracy Vandal aka Bunny Lake a sua nova personagem. A banda, exceptuando Bunny Lake, sobe ao palco estreito iluminado de azul, e o instrumental que se segue é uma composição em que a bateria e o contra-baixo seguram o tapete enquanto as guitarras gingam, mutilando-se mutuamente na segunda parte da canção. Bunny Lake está ao rubro da sua sensualidade, vestido de preto e tem uma franja próximo das sobrancelhas sobre um rosto com base clara e lábios de vermelho, salto alto negro. O género que se segue é para ser transmitido através de uma luz branca de danceteria num clube soturno de Nashvile, “their`s nothing but a heart”, “run away”, “milky way”, “Child of the Moon”, de billy passa para hell billy. “Nice to see you, is Tuesday”, “So we been away for a while “, são as primeiras plavras da escocesa Bunny. “Don`t be too long”, “don`t waste my time”, “I `m coming home”, acordes de Rock and Roll clássico, pausa, speed, “I ´m coming home”, dois minutos de delirante Rock and Roll. Rufo da bateria, acordes das guitarras, o baixo electrico pulsa, surge a voz de veludo, rock, “don`t”, narrativa amorosa, “run away”, “from my heart”, “but don`t…”, “don`t”, blues-rock, solo minimal do Torpedo, pausa, “shadow”, a banda perde altura, a voz: “I saw in the streets”, o ritmo acelera, “run away”, “don`t”, “OOOO”, “OOOO”, “OOOOO”, “OOOOOOO“, “OOOOOOOO”. Victor Torpedo coloca à frente de Bunny Lake, um teclado dos anos setenta: “this is the first time, I have a instrument in front of me”. A canção tem um ritmo tétrico, que prevê que um crime se irá cometer em segundos, e notícia que um povo é livre pelos segundos que dura a noticia. Após terem aumentado o ritmo, o teclado surge como se fosse a voz de um tremelim, fantasmagórico, “don`t tell”, “I `m swimming in your seee”. “This next song is ´Against the Law`”, e canta: “I can´t wait no more”, “it´s against the law”, com um forte domínio da bateria que a retira da mediania, e lhe dá uma porrada Rock and Roll. Bunny Lake desclaça os seus tacones lejanos negros e avisa a plateia feminia: “DON`T steal IT”, surrealismo nonsense. “Books”, pop-narrativa repleta de acordes sonhadores que transmitem uma íris sem arco, um homem e a sua pistola: “you talk to much”, “What can I say?”, “I don´t care anymore”, “in my blood”, solo do Torpedo minimal. “I usually have a philosophy”, “my philosophie today is drink, drink, drink”. “Rebound” é freak, “I find myself in sleep”, banda joga em paralelos que se desarticulam e articulam contrariamente, “I can´t stop”. “Next song is going to be our next single; ´Surrender”, Kalo atira-se ao bombo, que treme, as guitarras intrometem-se, “you push my heart”, “surrender”, pop-billy, “surrender” ouvido na frequência do eco, “from my heart”, ecoa e substitui o refrão. “Play with Devil”, informa Bunny Lake, ritmo 2X2, rápido, alto e sequencial, após uma falsa pausa, a música arrebenta contra a parede e suja-a, Torpedo geme, Rock and Roll. “This is our last song”, slow repleto de doçura cândida e suspensa no ar: “By, by dreams”, “ I can feel”, “soul”, “and”, “by, by dreams”, “goodbye”.

Tiguana Bibles, 2 de Fevereiro, Salão Brazil @ Coimbra