Saturday, May 28, 2011

Vanitas

A voz de Polly Jean Harvey ecoa pelos corredores da Aula Magna, uma sala pertencente à Reitoria da Universidade de Lisboa constituída por lugares sentados. PJ Harvey, veste uma túnica vermelha e nas mãos tem uma harpa, que parece uma lira, sobre a sua cabeleira negra e densa, a sua auréola recriada em penas. “Heavies stones”, harpa, voz aguda: “Big”, solo do teclado, Mick e Pj: “AAAA”, “AAAU”, a pontuação da música é entre o jogo infantil de uma criança e as labaredas de um pirómano, a guitarra insere-se, palmas dos músicos. “Can forget”, o presente: “England shakes”, “to forget”, palmas de Mick Harvey. “The Words that make you murder”, Mick e Pj: “This two are the words that murders”, “Dying”, “These are the words”. PJ: “Not explain”, coro masculino com PJ: “If I take my problems to the United Nations?” a música rodopia em redor do refrão com ritmo acelerado, a contra-posição das vozes realça um carácter teatral da música, a voz aguda ouve os homens a responder-lhe? Ela é a vítima dos outros, de nos, de vocês: os cúmplices. PJ Harvey tem a voz aguda tão aguda quando o silvo de uma bala: “Take my”, a solidariedade é para com PJ, incendeiem a alma com o seu canto. O orgão reflecte-se em “All and Everyone”, surge a harpa e a voz de PJ é masculina com ligeiros elementos timbricos femininos, o teatro de guerra é devastador: “Dead was everywere”, “it was in the”, “drinking whater”, ritmo marcial, “sun”, “death was everyone”, discursa e tange a lira: “Death was everyone”. A canção muda do tempo lento para um ritmo folk, misturada com a progressão final liderada pelo orgão de Mick Harvey. “The Big Guns Called Me Back Again”, bateria, acordes da guitarra, “to my senses”, “OOOOOOO”, “the sun”, coro: “I could go”. “Back again”, “because I hear”, “singing”, “far away, I hear the guns again”, o génio é o canto de PJ, que se eleva acima do acontecimento a apelar para a guerra ou contra esta? “Written On The Forehead”, a primeira canção que PJ Harvey abandona a harpa e passa para a guitarra acústica, blues muito próximo do universo tétrico de Nick Cave, o refrão é um chamamento: “Let it burn”. “In The Dark Places”, segue a linha da anterior, com as guitarras em distorção, “UUUUU”, coro: “Someone”, PJ: “In the fields”, “before us”, coro: “It was”, Harvey e PJ: “In the dust, in the dust”, “come”, “men”, “in the forest”, coro: “Mama”. Piano, ritmo dois por dois, “The Devil”, muito agudo: “AAAAAAAAAA”, a túnica vermelha encobre-lhe os pés, se é uma massa flutuante como uma alma não é fantasia. “Return to myself”, ritmo repetitivo, “come”, “come”, “come”, denso, pausa, e apenas prossegue o piano: “IAAAA SEEEEEE”. “The Sky Lit Up”, iniciada com distorção da guitarra, “never lies”, “this World”, PJ dedilha a guitarra eléctrica. “This skies”, “I saw the Jews”, rock de combate, “Sky my friend”, “Skieesliupuuuu”, “Skieesliupuuuuu”. “The Glorious Land”, a programação e bateria realçam uma componente de invasão, os dois pianos e a guitarra de PJ Harvey, recriam um cenário bárbaro, pop-folk, “OH! AMERICA!”, “OH! AMERICA!”, que ganha uma tonalidade pop com uma trompete samplada, símbolo da invasão americana sobre os índios, “children”. “The Last Living Rose”, rufo, a sua narrativa é a guia por entre uma paisagem naturalista mas com elementos simbólicos da Vanitas. “England”, o baterista ocupa a boca de cena do palco com um tambor, de realçar que PJ Harvey está à esquerda do público, voz infantil: “AAAAA”, “AAAAA”, “AAAAA”, “AAAAA”, a guitarra acústica de PJ, dá-lhe uma perspectiva campestre, a sua lírica passa da beleza naturalista da canção anterior para o apelo de um poeta: “Reaching from the country, that I now, England you need the taste”, a ode é para “to you England”. “Pocket Knife”, é a canção que é corrompida pela distorção, PJ Harvey dança, a métrica é curta: “Wife”, “young”, “how”, “last”, guitarras, “where is coming”, “hunting”, “runing”, “break heart, fall apart”, recebe uma ovação. “Bitter Branches”, sequencia rápida, as guitarras de Mick Harvey e de Josh Parish, associam-se propressivamente, Mick e PJ: “just get lovely”, “just get lovely”, “just get lovely”. “Goodbye”. “Bitter Branches”, a bateria, guitarra, piano, melodia-suave-pop, que se desvanece para uma melodia celta, PJ Harvey arrisca o canto lírico, em contra-ponto com a voz grave de Mick Harvey. “Down by the water”, tem um carimbo soul-pop com uma intensidade trágica: “I lost my heart, over the bridge”, “so much to me”, “just what I found”, “That blue eye girl”, “down by the water, I took the hand”, teclados, bateria, “Jesus”, “my lovely daughter, I took her home”, “little fish”, “give me back my daughter”. “C`mon Billy”, canção em que tudo é perfeito, as harmonias, o ritmo promovem uma densidade cromatica numa cadencia melódica épica quando o orgão se intromete entre os instrumentos. “Hanging In The Wire”, o coro canta com PJ Harveu estática, o ritmo é lento, “water”, a voz grave de Mick Harvey acompanha-a: “In the water”, “begun”. “The Colour of the Earth”, a voz de Mick Harvey lidera, o tambor na boca de cena, o baterista veste botas de equitação e colete, é o costume drama que os une os músicos em termos formais. A música é de protesto e em simultâneo de admiração pela beleza da natureza do Reino Unido. “Big Exit”, “UUU”, teclados, “fingers”, “OH! I MISS YOU”, “OH! I Miss YOU!”, “OH! I MISS YOU!”, guitarra distorcida, “in the corner”, “doorway”, “listening”, “London”, “London is listening?!?”, “OH! GOD I MISS YOU”. “Angelene”, “I frist”, guitarra, teclado, “I see”, “my soul”, “life”, meio tempo, “tired”, “joy”, “miles away”, “I see”, é a espiã das almas, “miles away”. “OOO”, “the faces I recall”, “creeps me”, “bring me down”, “pretending”, “I think nothing but”, sacrifício, “myself”, “I free myself from my family”, longe, “away”, eles, “never want me anyway”, “sirenes”, “sirens”.

Let England Shake, PJ Harvey, 26 de Maio, Aula Magna @ Lisboa