Monday, July 16, 2012

Blackmailers Don't Shoot

O calor sua os corpos andantes em direcção ao espaço ao ar livre junto ao Tejo: Optimus Alive 12. Ouve-se música vinda do cimo de um palanque sob o qual passo, no controle sou revistado e não tenho nada a declarar: Tenho todas as substâncias químicas escondidas na meia e a máquina fotográfica instalada abaixo do umbigo, não magoa, apenas incomoda. As canetas estarão prontas para serem espetadas na garganta de um polícia? A agressividade dos Parkinsons é debitada no palco Heineken: “Vamos abanar o cu caralho!”. “Ou é só para o futebol?!?”. “Somos punks mas também somos românticos!”. A voz é grave e pertence a Afonso Pinto de tronco nu tatuado, calças pretas, cinto de metal. À sua direita Victor Torpedo de guitarra em punho, olha para o público parado ou sentado constituído por adolescentes bronzeados, vestidos de cores alegres. Não ouvem a guitarra a deflagrar do Torpedo? “Se calhar lembram-se?”. Na bateria Kalo, desfere uma pulsão continua que encontra correspondente à altura em Pedro Chau. “Caralho!”. “Hey! Jimmy!”. Respondo-lhe com a máquina fotográfica no ar e com um sorriso. A última canção é “Alone”, que é devidamente apresentada através da guitarra de Victor Torpedo, que a coloca à sua frente como se estivesse a esmurrar uma mulher, e quando lhe puxa as cordas ela gane, e se lhe arranca os cabelos ela grita, e quando a encontra bêbada na cama: viola-a. Afonso Pinto encontra-se no meio do público e Victor Torpedo desce ao fosso onde coloca a guitarra no nível de visão dos adolescentes, pronta a disparar. A intimidação é algo latente nos Parkinsons: Se não estás connosco estarás contra nós? Liga-te a Parkinsons e consome-os às escondidas dos pais, somente assim farão sentido, caso contrário inscreve-te nos escuteiros e compra Durex. No palco principal está Danko Jones, com a sua distorção constante, é hard rock para pubs frequentados por turistas de terceira idade à procura de uma jovem para ejacular-lhe nas tetas. A fuga tem que ser realizada de ouvidos tapados, para que não haja possibilidade de ser vítima de efeitos secundários perniciosos. O sol foi encoberto por nuvens cinzentas, o calor está consideravelmente mais ameno. No palco Heineken estão a tocar as Dum Dum Dum Girls, vestidas de namoradas dos Beatles, e a música é precisamente uma revisitação aos anos 60, o ritmo é semelhante de canção para canção, o que transmite tédio. O tempo passa devagar, assim como as adolescentes à minha volta, perfumadas de framboesa e de chocolate, vestem trapos que as despem e fumam cigarros como se fossem charros. Miuda, tem rosto e corpo em Mel, de calções zebra, blusa cor de laranja. A primeira canção aparenta ter origem em harmonias com origem numa igreja, Mel canta mas a sua voz é omissa. Quando inserem o ritmo, Mel abana as ancas e levanta os braços e os adolescentes deliram com a sua silhueta. Miuda: “Durmo com Quero”, é a música pop que é reconhecida pela multidão, que levam a Mel para casa como companheira em sonhos húmidos. Ouvem-se repetidas descarga de histeria, e ainda não subiu ninguém ao palco, estão apenas a substituir o backline de Miuda. LMFAO fazem-se anteceder por uma intro que não se sobrepõe à histeria, surge uma trupe de mascarados saídos de um ginásio de subúrbio americano, dançam e aparentemente quem canta é o auto tunes, mas isso pouco importa? Se a histeria é contínua e contagiante e as letras estão tão decoradas quanto o teste de inglês do Nono Ano. No palco Optimus: “I Wanna Be Adore” é a primeira canção The Stone Roses: com Mani, John Squire, Reni e Ian Brown. Este revela durante o concerto inúmeras fraquezas a nível oral, mas não será isto rock and rol? Mas com um groove proporcionado por uma secção rítmica que transmite a essência da soma de elementos: um beat--apoiado no uso dos pratos e um duplo bombo-- contínuo como se fosse um sampler, que proporciona a hipnose, é aí que reside a loucura The Stone Roses. O terceiro génio é Squire, que proporciona um tratado de solos que por vezes correspondiam a progressões que incendiavam as canções. Ian Brown mexe-se lentamente com umas maracas como se estivesse a tentar expurgar-nos dos pecados. A chuva é minúscula mas pinga como se fosse Ecstasy, Ian Brown desloca-se para o interior do fosso e oferece o instrumento a uma fã. “Love Spreads”: “The Messiah is my sister”, cantado com a assertividade obrigatória: “Ain't no king, man, she's my queen”. “Let me put you in the picture”.

As pessoas deslocam-se devagar entre os palcos Clubing e Heineken. Neste ultimo os portugueses estão a delirar com a pop Awonation, que nada acrescentam à história da música popular. A noite quente esconde os corpos que se vestiram para visitar o Alive 12, para seduzir as máquinas fotográficas instaladas em Iphones e coloca-las no Facebook através do Instagram. Os substitutos de Florence + Machine são os inoportunos Morcheeba, um número que nunca conseguiu passar da métrica soft-trip-pop, a Sky é o elemento que se destaca pela simpatia e por ser detentora de uma voz soul adocicada, ideal para ouvir no Ipod antes de se declarar apaixonada por uma mulher polícia. Robert Smith, é um homem gordo vestido de preto e com maquilhagem a manchar-lhe o rosto. The Cure são o seu espelho onde se reflectem diversas vertentes: o meio tempo que com os sintetizadores ganha uma dinâmica negra como sucede em “Plainsong”. A pop de “Friday I`m in Love”, que cantada pelo timbre de Robert Smith revela uma alegria contagiante. A(s) depressiva(s): “Lullaby”. Quando Robert Smith coloca a guitarra para trás e levanta os braços, o público delira com a expressão corporal que mimetiza a de um trapo velho a pedir clemencia pela sua condição sub-humana. O guitarrista que acompanha The Cure, executa os solos derivando para um hard-rock tóxico, a partir dos quais jamais conseguiu impor a progressão, já que a secção rítmica nunca o permitiu. Robert Smith pergunta ao público: “Boys don`t cry`?”. “Ok! How doesn`t want ´Boys don`t cry?`”. “ You can leave the area.”.

Tarde intensa de calor, o sol é uma fogueira onde ardem livros de todas as cores, pergunto se há uma saída? Silêncio. No palco Optimus: Paus debitam duas baterias, baixo e teclado, parecem uma conjugação improvável. Os ritmos pesados perpassados pelo baixo e enrolados pelo teclado, resultam numa equação digna de uma locomotiva em chamas. “Debaixo da roupa vocês estão nus!”, se Paus desejam actuar num festival de nudistas não seria óbvio endereçar a ideia a Alvaro Covões? The Cooks, revelam-se um agrupamento pop-british, congregando inúmeras influencias mas não sabendo a partir das mesmas criar algo original, redundando na constante citação. Quando Caribou começam a pôr a dançar as pessoas, o sol está atrás do palco, o lusco-fusco gradualmente impõe a noite. Caribou é uma máquina pop-electro-funk, este último elemento expande os sons electrónicos por vezes tropicais outras africanos. Nada mais apropriado para instalar uma contínua despreocupação, mas sem relaxarem as pessoas, mantendo-as atentas ao compasso festivaleiro. Quando Radiohead se apresentam é-lhes desferida uma ovação histérica. As músicas usam um sampler sobre os quais os músicos tocam, os écrans atrás da bateria revelam os rostos Radiohead em constante difusão/movimento, invariavelmente sob um fundo azul. Se as primeiras canções ainda são suportáveis, as posteriores não projectam nada de novo. Já o uso dos ecrãs, algo que os U2 utilizaram em “Zooropa” como crítica à globalização, e desta forma obrigar o público a olhar para o vazio onde se encontrava. Radiohead manipulam-no para alienar os presentes: para que não se questionam o porque desta “nova” etapa? Kraftwerk + Brian Eno+ Pink Floyd+ U2 são os nomes que estão na nova fonte das obras: “Kid A”, “Amnenisiac”. Quando se aproximam do “OK Computer”, o mundo de Tom Yorke apresenta-se através da incapacidade de comunicar com o outro, é essa substância que não encontra retorno na constante debitação de fontes sonoras sintéticas e onde o homem é apenas um robot. No palco Heineken está instalado o tumulto e os responsáveis são The Kills, um duo (acompanhados por uma bateria): ele na guitarra, ela a vociferar para o microfone a tortura que o amor promove quando se instala a frustração na vida de um casal. Alison Mosshart tem um sex appeal que é macho e fêmea, a sua voz grave é doentiamente angustiante, repleta de rebeldia e de vertigem. Jamie Hence desfere acordes circulares ou angulares e os solos são uma resposta às deambulações da sua interlocutora. Metronomy, correspondem a uma mistura de Talking Heads, o uso de ritmos tribais, são disso exemplo; e Chic, o baixo domina através do funk invariavelmente quase todas as canções, e por fim o disco sound é usado apenas como elemento decorativo. O público dança, aplaude, grita. “Hey! Tell me how it was the festival untill now? When they told us that We were going to play at tree… I thought´ their`s not going to be their nobody!`”.

Optimus Alive 12, 13-14-15 de Julho @ Oeiras