Saturday, March 16, 2013

Performance

“Olá! Boa noite café” Brazil “Subway”. A guitarra semi-distorcida é de pendor western spaguetti, o rufo do bombo procura a marcialidade ritmica dos Velvet Underground: “AAAAAAA”. Saxofone: “UUUUUU”. Voz:”AAAAAA”. Saxofone: “UUUUU”. Voz: “AAAAAAA”. (Saxofone: “UUUUUU”). “Vamos lá em cima”, “pendurado no final do Asterix”, a guitarra expele um rif de notas abertas, “Vocês”, “AAAAA”, “AAAAAA”, “AAAAAA”, a guitarra debita minimalmente, “AAAAA”, e o bombo surge com personalidade para conseguir sobressair, voz em falseto: “UUUU”; voz grave: “AAAA”. Palmas. “Obrigado”. “Temos aqui alguém de Espanha. A aliança Atlântica necessita das espanholas”. O rufo do bombo, ambiciona a decomposição do flamenco, surge Pedro Subway levanta os braços e rodopia como se estivesse a ensaiar para dar de caras com um touro de seiscentos quilos sem as pontas devidamente castradas: “Olé”, “Olé”, “Olé”. A guitarra de Victor Subway cita um hino do Rock and Roll: “EI!EI!EI”. “I can´t get no satisfaction”. “EIEIEIEI”. “I can´t get no satisfaction”. “EIEIEIEI”. Victor Subway efectua o solo em regime de semi-distorção, mais tenso do que o original e que se prolonga no tempo de forma contida: “EIEIE”, “EIEIEI”, “EIEIEIE”, “EIEIEIEI”, “EIEIEIEIEI”. “I can`t get no”(eco). Palmas. “Obrigado! Agora para acalmar um bocado as hostes vou tocar uma música que se chama: ´O Calimero`”. Victor Subway introduz uma cadência de acordes que pretendem suportar a voz de Carlos Subway que narra a “história de um pato triste, do pato só triste e zangado”. Carlos Subway apresenta a sua personagem: “O meu nome é Calimero”, a guitarra “abre” os acordes para sublinhar a tragédia: “ Eu sou o Calimero” e o choro soprado pelo saxofone de Pedro Subway sublinha o desespero de um pato que não encontra amigos num mundo em que domina a televisão a cores. “Ninguém quer saber”, “eu preciso de sentir o calor”, “UUUU”, “AUUUUU”. E o saxofone gane: “UUUU”, “UUUUU”, e as lágrimas símbolo da angustiante solidão? Senhor? “O calimero!”.“Eu sou o Calimero”. “Obrigado! Vamos tentar animais”. “Vou-me dirigir ao primo”. “Obrigado Salão Brazil por este momento”. A guitarra e o bombo: “Fire”. “Obrigado!!! É assim a criação musical dos Subway Riders”. Os acordes da guitarra de Victor Subway mimetizam os que simbolizam o reggae: paz, amor e cannabis, mas o seu ritmo afasta-se do relaxamento que estas drogas provocam ao organismo humano. A droga é um chuto minimal que entra em contradição com a “jamaica”, o bombo acelera o seu ritmo destrutivo/construtivo que acende uma dança tribal entre almas de carne e osso: “AIAIAIAI”. Saxofone: “AIAIAIAI”. “AFRICAAAAA”, “LIBERDADEEE”. Saxofone: “AUAUAU”. Palmas. “Obrigado!”. “Vamos tocar o ´Riders on The Storm”. Subway Riders convocam The Doors, mas a porta que abrem é composta por um esqueleto que se decompõe em cada nota imposta por Victor Subway e a voz é grave mas não promove a proximidade da errância das almas: “Riders on the storm”, “riders on the storm”. “E o meu sonho é a noite do fado, queria pedir silêncio. Vai-se cantar o fado. É preciso silêncio”. E a comunicação poderia ser transmitida pela emissora nacional para dar sentido à vida de um orfão de pai: “Pega na lancheira e vai dar almoço ao pai”. “Pega na lancheira e vai dar almoço ao pai”. “Pega na lancheira e vai dar almoço ao pai”. “Pega na lancheira e vai dar almoço ao pai”. “Pega na lancheira e vai dar almoço ao pai”. “Como vêem as nossas canções são profundas. Vamos manter este momento de instrospecção”. Victor Subway oferece uns acordes dengosos que o bombo de Pedro Subway procura seguir, a voz surge devidamente desenquadrada: “Oh! Babe I love you so!”, solo agudissimo de Victor Subway e o seu irmão Pedro aumenta a cadência da sua percussão. A guitarra distorce a electricidade, pausa: “OH baby I love you so”, a alma de Ennio Morricone é expelida pela guitarra, “I love you so” gritado desesperadamente. “OH! Baby!”. “Foi até um momento dedicado a vos”. O Rock and Roll pastiche é apresentado para ser rapidamente absorvido pelo senso comum: “AUAUAUAUAUAU”, a guitarra, bombo, e o saxofone instuituem o caos, “AUAUUAUAUAU”, as maracas acentuam o seu caracter kitch, “AIAIAIAIIAIAIIA”. “Vamos interpretar uma música, que é mais rápida e é de construção difícil”: “OIN”, “estica-me o bedelho”. Palmas. “Obrigado”. “Vamos tentar tocar ´The Lion Sleeps Tonight”. Victor Subway introduz uns acordes entre bogie bogie e a pop digna de ecoar pelas colunas de um lar de esquina repleto de reformados a fumar cachimbo de água e a jogarem poker. “AIBOYAIBOY”. A voz grave é um mandamento: “The lion sleeps tonight”. “AIBOYAIBOY”. “AIBOYAIBOY”. “AIBOYAIBOY”. “The lion sleeps tonight”. “AIAIBYAIBOY” (eco). “AIBOYAIBOY”. “The lion sleeps tonight”. “Para terminar vamos tocar a ´Missão Impossível`”. Victor Subway decompõe os acordes da canção “imaginem o Tom Cruise a saltar por todo o lado numa missão impossível”, Subway Riders são a banda sonora para a missão de decomposição do super héroi: “Imaginem aquele idiota” romântico “I`m so in love” , “na Missão Impossível”. “Esta música chama-se ´What time is it?`”, ninguém responde por falta de dados disponíveis sobre o tempo estético ocupado por Subway Riders, será o histórico, o cronológico, o psicológico? A canção é suportada pela frequência distorcida de Victor Subway, que por cada acorde-- num total de três-- provoca ferimentos na pele fina que cobre os timpânos que transmitem a informação ao cérebro ao ritmo da percussão de Pedro Subway com a conivência demente do saxofone de Pedro Subway. “Por favor”. “What time is it?”. O português pergunta ao inglês sobre “por favor”, “What time is it?”. O espanhol pergunta ao inglês sobre: “Por favor”. A métrica imposta pela guitarra semi distorcida suporta a questão de ordem retórica se não fores poliglota: “Esta letra”. “Arigato”. “Can you tell me what time is it?”. “Say”. “Please”. O trio que acompanha Carlos Subway não quer responder: “Can you tell me what time is it?”. “Say”. “Please”. “É o entretenimento a chegar a alguns…”, a guitarra convoca os acordes de um executante perdido em mescal, é o jazz-mescal-rock, “AAAAAA”, saxofone: “AAAAAA”, “AAAAA”, “AIAIAIAI”, “AAAA”. “Vamos acabar com um blues”, que expira das cordas da guitarra de Victor Subway, “last month I was so drunk”, e a decadência é mimética na caricatura da inconsciencia provocada pelo estrilho da guitarra pedrada: “So very very drunk”, rock, “I wake up”, rock, “drunk”, rock, “last”, “so drunk”, rock, “completly drunk”. “E apareceu a música” tipicamente rock inscrita na década de setenta do século passado. Carlos Subway não esquece “os nossos imigrantes que estão a fazer vender o país”. “Pedro Subway” na bateria atira com as baquetes sobre a pele do bombo. “Aquele guitarrista”, Victor Subway. “Aqui está o nosso saxofonista”, Pedro Subway. E “ eu sou o Carlos Subway”.

Subway Riders, “A Nossa Arte é Lixarte”, 15 de Março, Salão Brazil @ Coimbra