Saturday, December 6, 2014

Antichrist

Estão no palco mínimo da Havanesa um trio de delinquentes: Victor Torpedo na guitarra eléctrica, Pedro Calhau no baixo eléctrico e Marquis Cha Cha na voz, aos quais se acrescenta uma programação dançante. A massa melódica que daí emana é um groove que sub-repticiamente se apodera do ouvinte e consequentemente o obriga a menear as ancas. De realçar que o Marquis Cha Cha é um homem magro e alto que se encontra envolto uma gabardine castanha, na cara uns óculos escuros sobredimensionados para o seu rosto e na cabeça capucho do Pai Natal. Na quarta canção o Marquis Cha Cha questiona: “Are you ready for the miracle? Are you ready?”, o público responde-lhe com palmas, a melodia remete para os anos oitenta quando nasceu a designação indie no Reino Unido. “I`m yours”. Na quinta canção, quem domina sobre o beat atmosférico é a guitarra western de Victor Torpedo com o devido conluio do baixo eléctrico de Pedro Calhau, durante a qual o Marquis de Cha Cha despe a gabardine e revela o seu corpo branco de pernas felpudas, encobre a pélvis com um body preto que lhe oferece uma adjectivação sexy. A sexta canção tem um beat pesado que é assombrado pelo vocoder grotesco do Marquis de Cha Cha, a guitarra billy de Victor Torpedo flutua por entre as chamas da melodia que é polvilhada por gasolina pelo baixo eléctrico de Pedro Calhau. A sétima canção decorre a partir de uma métrica progressiva Pop: “Secret of life”. A oitava canção tem um pulsar predominantemente pesado e curto e incisivamente minimal com a dupla Victor Torpedo/Pedro Calhau a expurgarem um horizonte tórrido de deserto com um vento soprado por uma “bitch”.A nona canção é de uma métrica hipno-minimal rasgada pela guitarra eléctrica de Victor Torpedo, os PSICOTRONICS desembocam numa foz épica. A décima canção é incansavelmente dançante, cantada festivamente pelo Marquis Cha Cha: “Seat next to me”, “give me all your love”, que é aplaudida efusivamente pelo público, e educadamente agradecida pelo Marquis Cha Cha: “Muchas gracias”. A décima primeira canção é apresentada através de um beat rápido que é musculado pelo baixo eléctrico de Pedro Calhau com um solo imune à mediocridade de Victor Torpedo. A penúltima canção tem uma compleição da década de sessenta “belaparouva” que é divinamente decomposta pelos PSICOTRONICS. A última canção do concerto na Havanesa é de uma estrutura profundamente kitsch destinada para clubs onde se amam anjos puti. Após uma pausa, os PSICOTRONICS são convidados a tocar duas derradeiras canções que sumariamente representam um espírito subliminarmente transgressor e como tal inquiridor da nossa moral cristã.

PSICOTRONICS, 5 de Dezembro, Casa Havanesa @ Figueira da Foz