sábado, 1 de outubro de 2011

Cunt Rock

O Ovni é uma entidade criada por extraterrestres. “This firts song is ´Against the Law`, don`t be scare”. A melodia é um diabo à solta vestido de saia, “crashing my bodie against the wall”, ritmo dois por dois, “I can`t wait no more”, o tempo é escasso, Bunny Lake: “Upside down”, “of life”, “out of control”, “against the law”, a tragédia cantada por um arcanjo de negro: “The way I feel about love”, o solo da guitarra contém o resumo da melodia e a partir do qual o ritmo acelera, “your kind of life”. A “ghost of the past”. “This next song is ´Rebound`”, soneto discreto quase infantil, esquartejado pelo ritmo marcial, golpe de Estado num país desértico, com a voz de Bunny Lake a encarnar as tágides fatais imersas em lavas negras que escondem as digitais, solo semi-distorcido, “I `m falling in your life”, a fatalidade: “I can`t stop this rebound”. Palmas. “Obrigada! This next song is about”, Bunny Lake despe o casaco que escondia uma t-shirt negra de alças que a cobre até as ancas, entre as quais consta uns hot pants de lantejoula, sobre o peito a branco está a inscrição: “I`m a Cunt”. E a partir daqui o diabo abandonou a floresta onde inverna e se diverte a devorar o seu semelhante, escravo da morte. “I don`t now wich words to use”, o eterno problema “you talk too much”, com o combo de guitarras e da bateria e do baixo a predestinar a canção na estética pop-billy, é relevante o solo de Torpedo em diagonal, “I don`t now the words to use”, surf-billy, “scape”. “Playing with the Devil”, ritmo dos bombos ecoa como uma bomba pronta a explodir no rosto dos presentes in States, Coimbra, está calor. A bateria de Kalo expulsa o diabo da pop para dentro de uma massa libidinosa, rock and roll. Bunny Lake levanta os braços acima da cintura, move-os paralelamente e simetricamente como uma boneca alimentada a luz lunar, as luzes multiplicam-na como um arco-íris filtrado por um diamante, o psicadelismo surge como figura de estilo, as responsáveis são as guitarras a disparar acordes paralelamente. “This next song is call ´One Way`”, a bateria carrega com o seu pendor hair heavy metal, as guitarras em suspensão, “Their`s one way to get me”, a percepção da saudade pertencente à não-inscrição: “You have to kill your sadness”, “around my soul”, há um feedback que se mantém estático no ar, “tender”, dois por dois, pausa, o feedback prolonga-se estaticamente a dominar a canção para a dinamizar, “heart to folow, I `ll reach your sorrow”, “please stay”, “please”. Tiguana Bibles atiram-se à canção tais cães de crómio, “everything is going to be allwright”, a bateria é de um potencia animalesca, rock, solo, bateria, voz: solos das guitarras em paralelo, “I”, bateria, solos, “all the time”, “please stay”, as guitarras carregam na velocidade, “I want”. Ovação. Slow, tremelim de fantasia, o refrão: “Meu amorr”, “don`t tell me how do I feel”, “meu amor”, “I`m swimming in your see”, a sua voz substitui o tremelim electrónico: “OOOOOOO”, as guitarras libertam-na do sofrimento, “loving you”, falseto: “OOOOO”. “Thank you Jimmy, who bring me roses! Before the concert! I never get flowers in this country! I didn`t even now if there is flowers in this country! I now you have spiders! But flowers! Thank you very much Jimmy!”. “Let´s make a deal put me out of misery”, “you have to find my angel”, as raízes do rock billy sobressaem na carne dos Tiguana Bibles, como uma serpente daninha, solo encarregado por Victor Torpedo, “now the stars are falling, I want to kiss you darling”, impregnado peloo tremelim electro do músico com o cabelo a encobrir-lhe o rosto, Agusto Cardoso de seu nome, e o baixo do Pedro Serra, sobressai. Bunny Lake, dança ao som da sua banda de bandidos encobridos pela noite, os acordes de Torpedo ocupam o espaço deixado vago pelo baixo: “Break the wall”, o refrão é magnânime: “We are explosions”, levanta os braços cobertos por luvas negras. A marcha fúnebre que se segue, “is about”, “I`m so happy to be”, “I want to be alone”, “from me and my house”, o dois por dois é tão lento, sobre o qual a banda equaciona uma progressão decadente. “My bass player wish he was a lady”, a ironia da musa. A abteria de Kalo dá o seu pulsar violento, guitarras, solo, “close your eyes”, speed-billy, “you can see”, “I`m special”, “soul”, guitarras paralelas, “inside my soul”, solo-Torpedo, solo da guitarra de Augusto Cardoso. Bunny Lake abandona o palco, dança, e canta junto ao público despe os saltos altos, “soul”, “come inside my soul” sobe à missula: “Love come inside my soul”. Dispara sobre Torpedo: “This guy plays the guitar and party! One more new, we like to experiment in people we trust”. A lírica: “I want to tell you, you are crazy to cry”, o vómito: “I`m sick of the world”, “of gold”, a bacteria corrosiva é a bateria que arrebenta como artilharia pesada, a intromissão do teclado fantasma adensa a melodia oferecendo-lhe a metáfora retro, “I`m gona to tell you”, o vómito: “I`m sick of the world”, “soul”, o ritmo aumenta, assim como a altura, “crazy”, teclado-baixo-bateria submergem a canção na enunciação. A confissão: “Just to see I was very scare for today. This is our last song”. “Surrender”, é apresentado através de um paladar épico, dramático: Bunny Lake de joelhos: “You push your hands”, “surrender”, bateria, “in you lips”, esquizofrenia, “surrender”, é o cunt rock fílmico, alteram o ritmo, “heart”, o teclado é o agente secreto, “heart”, “from your heart”.

In Loving Memory Of…, Tiguana Bibles, 29 de Setembro, States @ Coimbra

sábado, 13 de agosto de 2011

Piloto Automático

Noite húmida cobre a Batalha de Aljuz Barrota, há muitas padeiras e imigrantes, jovens e velhos, postos de venda de cerveja. O palco está instalado junto ao Mosteiro da Batalha, os batalhenses ficam inertes ao apelo do ritmo prog-rock-electro que infecta o pop-fado de “Sete Naves”, surgem Rui Reininho, Tóli César Machado, Jorge Romão com mais três irmãos sanguinários. Rui Reininho (Rei): “Vejo destroços de metal a flutuar”, “provavelmente o Tejo”, “sinos, sinetas ao acordar”, o “ritmo” é mecânico e circular, “paro de martelar”, solo da guitarra, “vejo estas veias estalando”, “artéria por estalar”, levanta os braços, “diáfanos por envenenar”, “vejo isto”, “outro ritmo”, “pára de martelar”, a música continua a contrariar a narrativa do Rei, as luzes negras e brancas acompanham a sincope: “As naves que eu construo aguentam a violência de um beijo mas nunca a do mar”. “Fode”, o sangue começa a estalar, “elas vêm-se, volteiam-se devagar”, o Rei encarna Bruce Lee e dança, “OOOO”, “AGORA”, e pede ao povo que se venha, levanta o braço direito para os acordar: “AAAAA”, solo da guitarra a mimetizar os acordes do refrão, “as naves que eu construo não são feitas para navegar”, pausa, “nunca a do mar”, “ar”, “vêm-se”, “vêm-se”, “voltam-se devagar”, “beijoo”, solo-guitarra, “nem a do mar”, “AIAIA BOM”, “AIAIAI BOM”. O Rei dirige-se aos súbditos: “E a Batalha está ganha! Ainda agora começou!”, não é ironia, a declaração de guerra é sincera. Assim o demonstra, “Sexta-feira (um seu criado)”, a canção rock and roll, que se prostitui “em Albufeira”, “para acabar”, “era tal a bebedeira”, “ninguém sabia onde era o mar”, “beija-me”. “Já é Domingo na Suécia, Cascais, Funchal”, “a policia”, “bem contra o mal”, “falta a tua confissão”, com a canção muito próxima do original, “amei”, “já não dou com o Dj”, solo da guitarra substancialmente prolongado e distorcido, “falta a tua confissão”, “beija mão”, “de quem gostei”, “dó”, “já não há, já não dou”, “nem pró Dj”, com o Rei perdido na Batalha. “Obrigado meninos, meninas, senhoras. ´Efectivamente` foi estreada aqui no tempo do Mestre de Aviz”. A canção redefiniu a pop, o ritmo é por si só de uma circularidade lúdica, subtil, com paredes rupestres com “pássaros estúpidos a esvoaçar”, o tédio do “riso das crianças dos outros”, o refrão é assertivo: “Efectivamente”, coro: “Lalalalalala”, “sem moralizar”, dois por dois, “engatar”, a guitarra insurge-se para lhe dar progressão, “controlar”. “Efectivamente”, “sem sincronizar”, a guitarra emerge mas desta vez complica, o teclado não resolve a questão, “sem moralizar”, “m-o-r-a-l-i-z-a-r”, coro: “LAAALALALA”. “Pois é, esta época passada foi uma série de títulos que ganhamos. Primeiro lugar desde 96! Obrigado! A nossa reciprocidade”. A música é um tónico tropical, um fluído que suporta o Rei: “Qualquer escravo era feliz”, “vender macacos do nariz”. A perspectiva sobre a mudança de paternidade: “O papa agora faz de mama” e “a mama tem mais cabedal que o papa”, “o futuro nas televisões”. “AAHH os bebés vinham todos de Paris”. “AAAH os bebés eram todos para meter no nariz”, blues-pop, “a mama vive tão longe do papa e os bebés ganham mais que os papas”. “O papa tem mais paciência que o Papa”, eco: “OOOOO”: “Vai Batalha agora tu!”. “A próxima canção é fantástica, porque começa no princípio e acaba no fim”, é o slow noctívago-pop de “Morte ao Sol”, “felizmente a noite sai”, solo-guitarra, “este lugar”, solo-guitarra-fm. “Metamorfoses de horror”, quem o determina paradoxalmente é o Rei sol: “Vão demorar?”. “Estou contente se a luz se esvai”, “revela cierta”, “rouca voz”, o vento sopra bolhas de sabão, “meu amor”, “directa sim”, “declaro morte ao sol”. “Directa não”, “morte ao sol”, progressão, o solo da guitarra substitui na íntegra o da gaita-de-foles de Paulo Marinho no original. “´Bellevue`, vous parlez fancais? ´Une Valse a Mille Temps`”, a referência ao universo do belga Jacques Brel, ganha corpo na progressão dos acordes e no ritmo compassado, que é Porto travestido de Paris. A narrativa é de papel químico de um policial, imerso num sufoco, o telefonema: “Leve, levemente como quem chama por mim”, que lhe permite ter uma “ideia brilhante que cintila no escuro”, a acção: “E subo a mão”, a guitarra percorre o refrão, “diamantes”, “salto à janela”, “coração”. “Bellevue”, “rendez-vous”, o ritmo acelera, “último estertor”, “cruel”, o local do crime: “Cama de dossel”, o detective põe-na à prova, ”experimento o colchão”, “solidão”, o baixo encorpado de Jorge Romão. “Rendez-vous”, “lá no jardim”, “confia em mim”, pausa, os teclados aumentam a tensão, quando o Rei assobia no microfone, a guitarra de Tóli César Machado sobressai. “Stop”, a revelação do autor do crime: “Sabem que me escondo na Bellevue”, alegre ma non tropo, decadente, “os meus amigos no fundo do jardim”, “ninguém confia em mim”, o alçapão: “Era só para brincar ao cinema negro”, as provas: “Os corpos no lago de jovens no desemprego”. “Atrás de mim a História, à minha frente o futuro”, quando o Rei disse: “atrás”, colocou os braços em direcção ao Mosteiro, quando referiu: “futuro”, para à frente. “É pena a Assembleia [da República] não estar aberta. Tenho um jeito para estas coisas. Então e o meu chá?”. O funk-pop de “Rei do Roque”, a narrativa beat: “numa selva sem leões”, “Rei da Rádio dá-me a voz”, “Rei da pop compõe por nós”, “Rei do Rock morreu por nós”, a síncope instala-se, “evidentes orações”, electro-pop-rock. “Isto é Oeste? Vamos lá ver isto. A ver se não me engano nas vogais”. A música que se segue é um slow movido a gás, ecológico-pop, o naturalismo da “casca de carvalho”, “a agulha no cabelo”, o refrão desconcertante: “Unika a pagar o gás”, teclado de Tóli, “um crucifixo, as mãos, os dentes de desejo”, “si lui trouvez”. “Unika a dar gás”, “a rainha das marés”. O hino ao ópio, com uma introdução hindu, urdida enrolada e fumada pelos Beatles: “Ana Lee, meu lotus azul, ópio do povo”, “Ana Lee”, a melodia é Trópico de Capricórnio, “num Lotus azul, nada de novo?”, “Bragil”, “jasmim”, “e a ouvir-se”, “num país onde fumam as cigarras”, sobressai a bateria, “tigre de papel”. “Lotus azul”, “poente dourado”, solo-hard-rock da guitarra, aceleram o ritmo. “Ana Lee”, “jaguar perfumado”, “tigre de papel”. “Vamos fazer uma estreia mundial”, ri. “Esta é para os Bombeiros….”, levanta os braços , “Que são os Bombeiros!”, palmas do povo. “Voos Domésticos”, o original que dá nome ao um best of reescrito, produzido por Flack. Uma melodia slow-pop-kitsch, que poderia ter constado no “Retropolitana”, domínio dos teclados, “o que faço aqui?”, “e então se tropeça-se”, “em mim”, “olha a turbulência é da tua ausência”, “adivinha”, “algures na cozinha, soa a campainha”, é o Rei, “num gesto de avareza só pago a sobremesa”. Avisa: “Olha a turbulência é da tua ausência”, é “a torre de control”, “adivinha quem sou?”, a densidade psicotrópica é densa, com os teclados entre o universo pop-prog, a guitarra a assumir-se como o interlocutor do Rei. “Escuta a turbulência é da tua ausência”, “fantasia de lençol”, o psicodrama: ”adivinha quem sou?”. “´Voos Domésticos` à venda em todas as casas da especialidade, que são poucas, são mais os piratas”. Do ar? “Asas”, a pop-cinética de veludo, andamento de meio tempo, letra onírica: “Servem pra voar”, “pra sonhar”, “espreitar”, “não te esquecer”, o Rei voa, “por combater”, “tentar não te esquecer”, “no alto do ar”, “se quiseres pousar a paixão que te roer”, “é um amor que vês nascer”, o solo semi-distorcido circular resume a melodia. “Estão a ver isto”, o Rei aponta para um copo que contém: “Mesmo chá!!”, Tóli César Machado desloca-se da direita para o centro do palco, recorre do microfone do Rei: “Toma lá do meu!” e estende-lhe o seu copo. O Rei enólogo chega à conclusão: “Ah! Isto sim é chá da marca do Jorge Palma! Um grande herói!”, riso do povo. “A Pronúncia do Norte”. “Um dos melhores compositores vivos: Tóli Cesar Machado”. A ironia rock de “Cais”, não é totalmente aplicada, o ritmo é substancialmente mais lento comparativamente com o original, e nem se assemelha com a versão que roda na TV, internet e na rádio pirata. “Se ondas vêem chatear”, a lírica é premonitória: “E quando a maré negra chegar?”, “crude limpar”, “imenso sais”, “sereias sensuais”. O narrador volta à terra: “Se o pescado morre ao largo”, “vai ver se há ainda lodo no cais”. “Voltas ao cais”, a canção diminui o ritmo e instala-se um ritmo marcial, próximo do break beat, “sensuais”. “Imagino o Carlos do Carmo no Allgarve com as bifas em topless a cantar: ´I've Got You Under My Skin`”. “Espelho Meu”, “Porto 1980”, os acordes disparados pela guitarra em delay coloca-a no pedestal do psicadélico, as luzes brancas incendeiam o espaço como se fossem bolas de espelhos, a banda joga em bloco, vibrante pulsão agressiva, fantástica: “Perguntem ao meu espelho”, a banda faz uma pausa, e Tóli Cesar Machado encerra a canção com acordes rítmicos, genial. Qualquer imigrante emociona-se com “Dunas” poluídas. “Sem reflectir”, “velho habito”, “a lado”, “ficar quieto”, “senti-la a vibrar”: “Ah! Lá vem ela”, “a relva cresce”, “um peito assim, ai”, “sabendo que é boa”. A demência: “AIAIAIAIAIAIAIA”, denso fílmico, “acabar de jantar”, “não pedia para ficar”, fica “sabendo que é bela”, “interesse”, “talvez assim”, “linda”, o teclado liberta-a da tensão nada característica da bossa nova: “PoPoPopLess”, o solo da guitarra distorcido, funciona como se fosse o coro da Antiga Grécia. O rei encarna o Axel Rose, “lá vem ela”, “mexe”, “AIAIAIAIAI”: “PoppopLess”, eco, “PoppopLess”, eco “PopopLess”, eco. “A próxima musica é mesmo em espanhoel: ´Sangue Oculto`”, o solo da guitarra que inicia a canção é menos linear que o original, a banda é uma máquina de rock and roll, finalizada com um desafio anti-touradas: “Se puderem mostrem compaixão pelos animais, não se arrependem!”. Encore. “Nós vivemos disto e para isto!” Blues-pop de “Burro em Pé”: “Se foi só para nos ver”, “mais vale me calar”, “tira o cabelo da boca”, “esse piercing no umbigo fica-te mesmo a matar”, o fraseado de música clássica, retira-a da mediocridade, a guitarra solo mimetiza os acordes dos teclados, “IONHK”. O Rei explica: “O burro é um dos animais mais inteligentes que há!”. “Há um bicho novo para limpar”, popopop, com refrão: “Vaisouvirever”, “mais vale nunca mais crescer”, poprock, “cérebro em fuga”, coro: “Mais vale nada”, “crescer”, “mais vale nada”. Seguido de um tufão soul-pop-tropical que aquece o “Inferno”, com os devidos aditivos ao romantismo latino-americano. “GNR, trinta anos venham mais Trinta!”.

Voos Domésticos, GNR, 12 de Agosto, Festas da Batalha @ Batalha

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Cabo Verde

Ilha isolada pelas margens do mar é o centro de beleza chama-se: Mayra Andrade e é fruto maduro. A bossa nova é pejada por uma tonalidade africana, a bateria a proporcionar um início perfeito a que se junta o contrabaixo, surge Maya Andrade veste de vermelho, é um vulcão ou a sua lava, ambos ao mesmo tempo. “Uma mulher”, a narradora onisciente, “uma beleza que me aconteceu”, “o seu corpo contra o seu”, “me falou que o bem é mau e o mal cruel”, pausa, guitarra acústica, “dor”, solo do contrabaixo, “quis inventar”, “natureza feliz”, “como é bom tocar um instrumento”, solo da bateria, “besteiras de menina, disse não”, a precursão é batuque de samba. Mayra Andrade irrompe pelo scat: “LelE”, “como é bom tocar”, pausa, “um instrumento”, “OoOOOo”. Segundo tema: Mayra segura um instrumento ritmico, que oferece à canção uma perspectiva infantil, o corpo da música pretende aproximar-se de um jazz tropical, o crioulo coloca-a em São Vicente, “decionario”, “magia”, “realidade de hoje em dia”, “democracia”, “pra buscar”. “Muito obrigada a todos muito contente por estar nesta sala magnifica. Nesta sala não sei… Não vou dizer de 1910. Mas pus um vestido assim”, sorri e coloca a mão sobre a anca esquerda e parece puja-lo como se fosse uma sereia a apresentar-se ao noivo na noite de núpcias. Bateria, contrabaixo, “esse milagre”, guitarra, “onde é maior”, “bandeira que tem”, em crioulo, “AlAlAlao”, “na bandeira”, “Aiooaiooai”, com repetição oral por parte do guitarrista, o solo deste prolonga-se, “bandeira”, “lha bandera”, “AioAioAioAi”. “Obrigado”. Na quarta canção, a guitarra impõe acordes curtos, que servem de métrica à letra: “deixem-me contar uma história”, “de um amor”, “tanta história para contar”, “eternidade”, embalada por um funk imposto pelo contrabaixo e pela bateria: “leliai leiliai leiliai”, “leilia oliae laie laia”, com voz grave do baterista a fazer de coro, solo do contrabaixo, “tanta história pra contar”, “filhos do Atlântico”, “Cabo Verde”, “laileilailadia”, coro “leeileiaa”, Mayra: “Lelalaielllalaei”, “leilaielaielaia”, abana as ancas enquanto dança de costas para o público sentado em cadeiras estofadas no Casino da Figueira da Foz. As escovas da bateria impõe um ritmo lento e intimista, à quinta canção, “AA” sem microfone a criar um eco, “sonho grande, bonito cheio de luz”, “que grande cruz”, “estrela brilhante”, falseto: “EEEEE”, “venganza”, solo da guitarra em paralelo com o contrabaixo, o ritmo quase se esquiva para o silêncio, “tem um sonho”, “sonho grande”, “segura”, “grande cruz”, “venganza”, “estrela brilhante”, tensão rítmica, “abbabebe”, com a boca fechada: “Mmmmye”, boca aberta: “EeEEEEE”. Sexta canção: Bateria/baixo, progressão gradual, scat: “OOOO”, “OOOOOO”, “OOO”, “OOO”, “OOOO”. A sétima canção começa como a anterior, o meio tempo serve de base que por vezes é reprimido por uma alegria contagiante: “Muita saudade”, a dor que não magoa mas que nos fere porque Mayra Andrade chora como uma viúva cabo-verdiana: “AIAIAIAIAI”, “AIAIAIAIA”, “OOO Byeyeye”, solo da guitarra, “fica a saudadi”, “AIAIAI”, break beat, Mayra Andrade dança como se estivesse abraçada ao seu amor. O ritmo lento mantém-se na oitava canção, a guitarra desafia esta estrutura e apresenta-se um pouco revoltada, “sem sinal”, “dispedida”, “chicotadas”, solo do contrabaixo, chora: “eieiuaaaeaaa”: “OOOOOO”: “AIAAAAAEEE”: “AAOOOOOO”, o ritmo acelera ligeiramente e o contrabaixo salpica-a de um dramatismo intenso. A guitarra acústica é substituída por uma eléctrica picola, a melodia é uma morna de alterne cantada em castelhano, “Bessame com passion”, “mira-me porque quiero alcançar tu alma”, “quiero Salir de tus braços”, “perder la calma”, “bessame com passion”, “sentimiento”, “sentimiento”, solo de guitarra, “mas puro sentimiento”, “como lo siento”, “lha sé mas bien el camino”, “el camino percorrido por la guitarra”, Mayra Andrade dança de frente para o público. “Uma salva de palmas para Pablo Milanes”, o autor da canção. “Tu nunca”, a percursão é apenas um elemento postiço, já que é o contrabaixo que acompanha a voz da diva, “tu nunca”, “corazon”, “corazon”, “nacionalidade”, palmas, bateria/guitarra, “embarca para São Tomé”, palmas, “tu nunca”, a guitarra incendeia a canção e orienta-a para o fim, com ajuda da pequena percursão que Mayra Andrade toca. O décimo primeiro tema, tem por base o djambé, e o contrabaixo, Mayra não gosta da cor amarela das luzes, “Maria Bethania, disse um dia: ´Tira-me esse amarelo de cima de mim, não sou nenhuma bananeira`”, o técnico demora a perceber a ironia da princesa de Cabo Verde, “comme si non pleuveux”, tem um coro que lhe dá uma alegria que a letra não contém, “jolie le soir”, “chaque jour”, coro: “comme si non pleuvex”, “a pris”, “Lalala”, coro: “Comme si non pleuveux”. Scat: “Lalalala”, coro: “Comme si non pleuvex”. Décimo segundo: bateria/guitarra, “I need”, “until I do”, “I `m hoping”. “I love you”, estas três palavras saídas da boca de vulcão de beleza, ganha a certeza de serem de um erotismo magico, a canção é uma versão de um tema dos Beatles, um dos mais medíocres que estes criaram: “I Want”, “I Want”, “I Want”, “I love you”, “Michele”, “The words I now”, “Michele ma belle”. Á decima terceira canção, Mayra Andrade pede uma “participação fortíssima do público”, “Oh! Senhora da magia”, palmas, “mostram cultura”, palmas, “Obé, obé, obé”, palmas, “OH! Mulher sabida”. “Carrossel”, insere-se num ritmo brasileiro, “et la vie sorrie”, a esperança é uma tontice: “dans la folie de l`espoir”, “de mon couer”, “dans le ciel”, “revê”. Mayra dança enquanto a guitarra eléctrica picola prossegue e inconscientemente lhe responde, mas Mayra não a ouve e continua a desfiar a sua tristeza: “Dans le ciel”, que não contagia o público que lhe responde com palmas e a pérola dança: “Caroussel, tourné ma vie”. O cavaquinho remete-a para Cabo Verde, assim como o creoulo, “Marinheiro”, é uma ou traz uma “melodia”, que tem “poesia”, “animal”, “melodia”, “poesia”, “balanço de mar” este verso é o espelho do ritmo da canção, “turbulento o tempo”, saudade: “OAAAAAA”, “balanço de mar”, “um tempo”, e a sequência seguinte é preenchida com solo do cavaquinho, bateria e baixo, seguram o ritmo, “brisa de mar”, “balanço de mar”, “um tempo abençoado”, “balanço de mar”, “tempo abençoado”, ritmo 2x2, scat: “AAAAAAAAAAAAAA”, “TATATAAATA” que é repetido pela bateria. Palmas. O penúltimo tema é slow em creoulo, e que tem como correspondente a “lua”, sponken word, “na boca”, canta: “lua”, “OIOIIOIOIOIOIOIO”, “lua nova, cheia, redonda”, a guitarra eléctrica picola é dedilhada nota após nota, o solo deixa a sala em chamas que ardem como a pedra nas mãos da lava. A percursão dá sequência à morna pop, “OIOIOIOIOIOIOIO”, coro: “OIOIOIOIOIOIOIO”. A última é mais uma morna de cariz arrebatador, “nina”, “EEEE”, “menina oi”, “menina EEEE”, “vo pra casa jantar”, “sucupira”.

Mayra Andrade, 9 de Maio, Casino da Figueira @ Figueira da Foz

Susan Sontag

  O tecelão que se encontra atrás da bateria de Simon Gilbert dos Suede são duas carcaças entre as quais deveria constar Brett Anderson tal ...