segunda-feira, 8 de novembro de 2021
domingo, 7 de novembro de 2021
The Flame
HHY & The Macumbas
apresentam-se sob diferentes prismas: a música ora se decompõe em estruturas
tribais ora se compõe num hipnotismo que resulta numa ode operática que coloca
o ouvinte em contacto com o divino e com o profano como se fosse a mistura num
copo de vinho amargo que transmutaria os peregrinos em seres cornudos e outros em
anjos dançantes em redor do fogo profano as almas sumptuosamente divagam
entrecruzando-se e se digladiam ou se transmutam numa só peça de escultura
erguida para que seja adorada ao som das variações rítmicas umas vezes
profundas e hereges e outras celestiais; parece que o que domina no contexto
sonoro dos HHY & The Macumbas são bifurcações que se encontram num mesmo
leito de rio de sangue fruto de um sacrifício e este ponto é fundamental para
que a música corra sem que seja questionada a sua origem; se fossem recolocados
num terreno inóspito seriam reveladores de maravilhas de diamantes ou
brilhantes de sangue porque se existe progresso isso deve-se à exploração da
matéria prima que enriquece os países pobres, tal como a música que advém do
palco que é rica (não no sentido literal do termo) porque tem origem nesses
tais países africanos e onde se encontra o berço castrado dominado por
elefantes moribundos e rinocerontes em fuga dos seus carrascos; o concerto que
dura uma hora não há qualquer pausa o contínuo é revelador de que a relação do
pensamento tem inúmeros níveis de entendimento que se entrecruzam e são
potenciadores de atar um outro estado de espírito ao ouvinte que tem que ter
confiança na narrativa sonora deixar-se levar de olhos vendados por uma
floresta ou pela savana e não ter medo que qualquer ser estranho possa aparecer
de repente de forma a que seja suficientemente forte para instalar a anarquia e
a demência porque é esse estado de transe quase demencial que se situa a
tragédia dos HHY& The Macumbas se há esperança é apenas no limiar da mesma
se há felicidade é porque os corpos podem transpirar e libertar o mal que por
si só é o primórdio daquilo que se pretende exorcizar e somente o mal para que
daqui em diante seja o bem como advir de um outro universo mais amplo e belo
que recusa as trevas e faz delas cinzas somente destas é possível que algo seja
eterno e que desmontado o cenário seja o bem a dominar os corpos cegos perante
a montra do escuro ou obscurecido que relata o pormenor e transformam em algo
maior o que não é domesticável; os ecos de uma nova civilização estão
proscritos em cada acorde porque é quase do tempo em que as ligações entre os
seres vivos eram composta exclusivamente por sons que gradualmente simbolizaram
a coisa em si e que sustentou uma nova forma de comunicar; a música é o seu
elemento mais revelador que de outra forma seria impossível transmitir HHY
& The Macumbas que são um manancial que despertam os sentidos para um outro
mundo que inconscientemente é reconhecível para quem se presta a ouvi-los com
atenção e dessa forma possa perspectivar quiçá algo similar ao que Picasso
descobriu com a arte africana o cubismo é nessa perspectiva de transposição do
sagrado para um nível de contexto contemporâneo que estes músicos se enquadram
haja felicidade por uma hora sonora deslumbrante.
HHY& The Macumbas,
6 de Novembro, Teatro José Lúcio da Silva, Leiria.
segunda-feira, 18 de outubro de 2021
domingo, 17 de outubro de 2021
Stranger Music
A Festa d`Anaia
divide-se por duas noites (Sexta-feira e Sábado) e a tarde de Domingo no Centro
Cultural e Recreativo da Pena, na sala rectangular e de dimensões consideráveis
irão decorrer os concertos de Cave Story ou de Gator the Alligator; os primeiros
apresentam um testemunho sonoro assertivo e associado à uma pop lo fi que por
vezes se aproxima de um discurso em que as guitarras distorcidas dominam, nunca
ou sem nunca deixarem de lado a componente pop que na génese é o que lhes dá um
sentido melódico suficientemente apelativo; Solar Corona é um compêndio de
diversos géneros musicais que não encontram relação uns com os outros como se
cada canção fosse executada por outros músicos que não aqueles os que compõe os
Solar Corona, com a agravante dos decibéis serem de tal forma altos e
agressivos que a rejeição é instintiva; Fugue são na essência rapazes ligados
ao tecno (ou um derivativo deste género), mas o problema que se põe é a
incapacidade de personificação dos beats, resumindo-se à contínua repetição dos
mesmos sem que haja uma verdadeira ou definida destrinça de canção para canção;
Joana Espadinha um caso único, isto é, tem melodias pop delicadas e outras dançantes
e a coroa-las a sua voz doce, que lhes dá o cunho de serem representativas das
preocupações de uma jovem que recentemente foi mãe, mas que à audiência pouco
esteve interessada no novo capítulo da vida da cantora Lisboa, para além disto
ainda dança e é de uma simpatia arrasadora, pode ser que seja a voz da sua
geração e se assim for representa o futuro da pop composta em Portugal; Marinho
corresponde a uma jovem a tocar viola acústica e a cantar em inglês e a aproximar-se
a cantautores das Américas seja dos Estados Unidos, Bruce Springsteen do qual
toca uma versão, do Canada a Joni Mitchel ou o Leonard Cohen, fora destes dois
grupos o Lloyd Cole ou o José Mário Branco do qual toca “Inquietação”, estas
referências primam por serem de estrutura e de conteúdo complexas, e esta
cantautora sintetiza-as de forma coerente o que impregna as suas canções de
originalidade; Gator the Alligator um quarteto de heavy metal sem grandes
manobras de diversão para adicionar ao género algo mais do que ele já
representa.
Festa d`Anaia, 15, 16, 17 de Outubro, Pena,
Cantanhede.
sábado, 16 de outubro de 2021
sexta-feira, 15 de outubro de 2021
Book of Mercy
Há dois sexagenários na
porta da bilheteira do Teatro José Lúcio que têm bilhetes para venda para o
primeiro balcão, por um conjunto de circunstâncias não podem assistir ao
concerto dos GNR, umas das poucas aparições do trio neste ano— isto devido aos
efeitos secundários da pandemia na indústria do espectáculo; os dois idosos
estão ansiosos em vende-los de preferência sem qualquer prejuízo, algo que
almejam com alguma dificuldade, seria discriminatório converter estes dois
vendedores em jovens, assim como grande parte das pessoas que me rodeiam que
fazem gala de uma indumentária escolhida para uma noite especial. O concerto
tem diversas escalas é iniciado pela hipnótica “O Arranca-coração” e a
sequência é marcada pela popularucha “Nova Gente” ou a pop “Efectivamente”, de
sublinhar que Rui Reininho não se limita a cantar de forma irrepreensível cada
uma dessas canções mas a sua performance versa o realçar do ridículo e neste
reverberar expressivo o público ri, este ponto é fundamental para que se tenha
em atenção o outro lado da poesia do Rui Reininho que sendo pop é passível de
ser desmistificada; “Sub 16”, “Las Vagas”, “Sangue Oculto” revelam uma frescura
abrasadora (em especial a segunda), e há ainda a realçar que a maioria das
canções sofreram novos arranjos que se permitem ouvi-las sem que tenham as
cicatrizes de vinte anos (ou mais…) de estrada e radiodifusão; “Dunas” permite
ao ouvinte predispor-se e retomar as tardes de Verão que recentemente findaram,
não sem antes tropeçar no lixo e em outros objectos “salgados”, uma história de
amor adolescente sintetizada de forma sublime por parte dos GNR. Há como campo
de fuga as “Dunas”, mas para a dança de contornos pecaminosos conta-se com
“Vídeo Maria” que se eterniza como a canção que tanto joga com o pecado carnal
quanto o espiritual, e se ambos estão interligados há um que é o gatilho para que
o outro se desenvolva e desse virá os estímulos sentidos pelo indivíduo. De
sublinhar que neste ano os GNR completam 40 anos de carreira que deveria ter
sido celebrada com pompa, mas dada a situação pantanosa criada pela pandemia é
possível que os festejos se realizem no 2022, numa sala perto de si e onde os
GNR terão oportunidade de justificar mais uma vez o porque de serem a maior
banda pop Portuguesa.
GNR, Os Primeiros 40
Anos, 14 de Outubro, Teatro José Lúcio da Silva, Leiria.
segunda-feira, 27 de setembro de 2021
Susan Sontag
O tecelão que se encontra atrás da bateria de Simon Gilbert dos Suede são duas carcaças entre as quais deveria constar Brett Anderson tal ...
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