Friday, June 8, 2012

Sci-fi Lullabies

Acordes de guitarra compasada, bateria: “OOOO”, “She iiis runing”, “She iiis runing”, a guitarra semi-distorcida de Richard Oakes, percorre paralelamente os versos de Brett Anderson: “She said: ´Come rescue me`”, aceleram, “mine”, “´come rescue me`”, “Hollywood life”. Richard Oakes retira das cordas da sua guitarra vermelha eléctrica notas curtas, longas, curto, longo, e abana a cabeça em direcção ao chão do palco do Primavera Sounds Porto. “OOO”, “OOO (sobre o solo da guitarra)”, “Come rescue me”, “Hollywood Life”, “takes the Hollywood with love (solo de Oakes)”. A voz de Brett Anderson violentamente tensa seca e grave e os agudos multiplicados pelo eco: “LOOOVE”. Solo de Oakes introduz o refrão electrostático de “Trash”, que percorre a canção de inumeras perspectivas. “Maybe is the clothes that you wear”, “baby it`s so beautifull now”, “tonight”, “beautiful now”, Brett Anderson frente à frente com o público: “Traasssh you and me”, “Trash me and you (solo)”. O tédio cantado em falseto: “DOOOO”, breaks da bateria, “We had”, 2x2, baixo a penetrar na veia como uma agulha carregada de heroina. Brett Anderson de camisa azul calças pretas e sapatos de pele sintética, quarenta e dois anos, casado. Acentua nos agudos do “a”, como a heroina a mistrurar-se com o sangue, um shot: “TRASAAAAAAAAAASSH you and me”, aponta o microfone para o público saltitante. E os agudos, “Everything We dooo”, pratos da bateria. Richard Oakes: solo agudo, solo ssustenido e repetidos em sentidos opostos. Brett Anderson: o refrão : “TRASAAAASH you and me”, “(solo de Oakes) Trash me and you”, “OO You and me” a resposta: “(percorrido pelo solo semi-distorcido de Oaeks) YEAHYEAH”, “You and me yeah yeah”, “(solo continuo e entrecortado de Oakes) AAA you and me”, solo de Oakes a partir dos quais Brett Anderson dança. Palmas. “Obrigado”. Richard Oakes introduz os acordes trepidantes, consecutivamente seguido pelo baixo e pela bateria marcial de Simon Gilbert. Brett Anderson: “Soo easily, Filmstar”. A descrição na frame: “Filmstar living”: “Believe me is impossible to say”. A(s) mascara(s): “Wash your brain, play the game again, yeah, yeah, yeah”. O baloiçar da bateria, transporta-nos para o Soho londrino: “Driving in a Car”, “yeahyeahyeah”, solo de Mat Osman (baixo), solo de Richard Oakes. Brett Anderson dança “It`s impossible to say”, ah “to believe”, “(o ritmo acelera sincopadamente, com a circularidade do baixo e da guitarra a produzirem psicadelismo): Again, again, again, Yeah, Yeah” . Brett Anderson canta sobre a sincope: “Filmstar” . “Filmstar”. “Filmstar”. Público: “YEAH”. Brett Anderson: “Filmstar”. “Filmstar”. “Filmstar”. Público: “YEAYEAH”. Brett Anderson: “Filmstar”. “Filmstar”. “Filmstar”. Público: “YEAHAYEAH”. Brett Anderson: “Filmstar”. “Filmstar”, “Filmstar”. “YAEHYEAH”. Palmas. Guitarra solo distorcido, com a subsequente violencia ritmica de Simon Gilbert, um turbilhão electrochoques de glam rock de “Animal Nitrate”. Brett Anderson:“OOOO”. Público: “OOOO”. Solo de Oaeks. Brett Anderson: “OOOO”. Público: “OOO”, solo de Oaeks, “place”, “broken home”. Apoteose. “Obrigado Porto”. Acordes da guitarra eléctrica inserem as tonalidades agrestes de “We are the Pigs”, “all people say: ´stay at home tonight`”. Cantado através de uma voz grotescamente limpa e em que os graves são os prenuncios de que o destino de Portugal é o medo: “ (percorrido por solo de Oakes) I say we are the pigs, we are the swine”. A solução: “(percorrido por solo de Oakes) We are the stars of the firing line” . “I say we are the Pigs”, solo de Oakes, curto agudo progressivo, recorrendo a notas dilacerantes que decepam um coração a pulsar por cocaina. A bateria ergue o ritmo semi-marcial de “To the Birds”, o baixo abre espaço compassado para a guitarra de Oakes. “Take your life”, “Happen tonight”, a melodia que emerge desta conjugação é lava expulsa por um vulcão (guitarra de Oakes num serpentear continuo das notas) a percorrer uma encosta tropical. “At my side”, “I know”, “Take my life”, bateria, baixo e guitarra de Neil Colding, e Richard Oakes desconstroi as notas circulares do refrão. “Bicycles”, aceleram progressivamente num transe sexual: “LALALALALALA”. A voz de Brett Anderson concentrada sobre a guitarra de Oakes: “Their`s a song playing on the radio, Sky high in the airwaves on the morning show”, a banda emerge e coloca-se paralelamente aos acordes de Oaeks . A voz de Brett Anderson quase em falseto: “And as I open the blinds in my mind, I'm believing that you could stay”, “If you could see”. A voz prolonga as vogais: “Fears away”, “if you stay (solo de Oakes)”, “We`ll be the Wild Ones”. O falseto abre as vogais: “Running with dogs today”. A banda enquadra-se desalinhadamente entre o blues e o rock, o paradoxo: “(percorrida pela guitarra de Oakes) And it's a shame the plane is leaving on this sunny day”. A declaração de um amor eterno: “Cos on you my tattoo will be bleeding and the name will stain”. “And oh if you stay I'll chase the rainbown fears away”. “We'll be the wild ones running with the dogs today”. A prece: “OOh if you stay (solo de Oakes)”. “AAA if you stay (solo de Oakes)”. “AAAA if you stay (solo de Oakes)”. “AAAA if you stay (solo de Oakes)”. “We'll be the wild ones running with the dogs today (baixo de Osman)”. Neil Codling, prolonga as notas do seu sintetizador que ficam estáticas num suplemento neo-Kitsch, a inserção da bateria impregna-a de tesão e a guitarra parece desafinada: “She Knows”, “I think about silence”, “Shadow (agudo)”, “nothing”, “love is Summer time”. Richard Oakes sola sobre a massa sonora suspensa no ar, “With self control”, as luzes do palco são roxas, “no barriers”, “shadow”. A canção: “Sabotage” é de uma densidade estética épica. A lírica “Love is Summer time (solo interno de Oakes)” é doentia. Solo de notas abertas de Oakes: “The sky”. “Love is Summer time (agudo/sustenido)”. O ritmo binárico sincopado de “She”: “OOOO”, “OOO”. Brett Andersen dança freneticamente, cada nota da secção ritmica remete-a para um ritmo marcial de uma mulher: “Sheee is a Killer”. A mulher leviana: “Sheee another night”, “another pillow”. ”No one wants to see”. E o frenético falseto, como se Brett Anderson fosse o narrador de uma tragédia: “She, shashaking up the karma”: “She, injecting marijuana”. “She`s”. “No one wants to say: ´No education it`s the arse of the nation`”. “Shee”, “She is bad, she is bored, she is bony, she is”. “OOO”, “SHEEE”, “OOO”. “SHEEE”. “OOO”. Bateria + palmas + guitarra semi-distorcida + voz: “Like killing machines”. A maquina de Glam Rock sofrega por sexo: “She'll be a sucker for the shotgun show”. “Like the killing machines here we go”. O sumário de uma existência: “He's a killer he's a killer he's a flashboy ohohoh (eco)”. Baixo. 2x2. Solo desconstruido por parte de Richard Oakes: “Killing machine”: “It's the same old show, he's a killer, he's a flash boy ohoohoh”. “Lalalala”. O dois por dois da bateria é continuo, e gingão como as ancas de Brett Anderson: “I feel real now walking like a woman and talking like a stone age man”, “I feel real”, “talking like sugar and shaking that stuff”. A dependencia da heroina: “Singing I can't get enough”. “Singing I can't get enough”. “I feel real like a man like a woman like a woman like a man”. “Teenage tough”. “Can´t enough”. “OOOO (solo de Oakes)”. Oakes prolonga as notas e distorce-as repetidamente, usando o pitch para inserir tremelim hipnótico. “Singing can`t get enought”. Pratos de choque e a guitarra progridem segundos até se extinguirem no ar como uma nuvem de cocaina. Público: Palmas. O ritmo aumenta violentamente, e Oakes insere um rasgo de distorção no interior de cada uma das nossas narinas. “Singing can´t get enought”. “Obrigado! It`s very nice to be here in Porto”. A melodia é revelada pelo teclado ondular/progressivo. Brett Anderson, coloca-se frente ao público: “Watch the early morning sun”. O jogo de memorias alcoolizadas: “Under the jet plane sky” . “Sleep away and dream a dream”. A Nursery Rhymes: “Life is just a lullaby”, o falseto agudo sublinha o “L”. A esperança e a desesperança: “And everything will flow”. Público: “OOO”. A luz: “Watch the day begin again”. As cinzas: “Whispering into the night”. Suede: “See the crazy people play”. “Under the jet plane sky”. “(solo da guitarra de Oakes; marcado com a progressão ondular do teclado) Life is just a lullaby”. “AAAAAA”. O sintetizador modela-se continuamente projectando a grandiosidade de uma porgressão alegre, mas que encontra na vocalização de Brett Anderson uma profunda e visceral melancolia: “Everything`ll flow”. “AAAA”. Pratos, guitarra eléctrica, conjugação glam punk: “Because we're young (solo de Oakes), because we're gone”. “Oh! Yeah! So young (solo entrecortado de Oakes)”. “So young”. “Common”, “OOOO”, solo de Oakes, “OOOO”, solo de Oakes, “OOO”. Brett Anderson lança o cabo do microfone circularmente no ar, o público bate palmas, fica estático e o cabo enrola-se à volta do seu tronco e ri (palmas do público). A guitarra de Oakes é de uma distorção rapida e continua. A exibicionista: “Well she's show showing it off then”, “She”, “yeah”, a maquina que progride é de glam rock punk, que aparentemente coexistem na antítese. O negócio: “And all the people shake their money in time”. A demencia associada à dependencia amorosa: “Oh dad, she's driving me mad, come see (solo continuo de Oakes)”. Oh!: Brett Anderson: dança, vira costas ao público, coloca o pé sobre o bombo da bateria e voa em direcção ao público: “Driving me mad”. A violência de “Metal Mickey” reside neste verso: “She sells heart, she sells meat”, corroida pela estrutura em constante frequência continua e descontinua, “OOOOO”. “OOOO”. “OOOOO”. Ovação. “Obrigado!”. A guitarra semi distorcida de Oakes, é o oposto do desejo de Brett Anderson: “Come to my house tonight”. Com o acentuar do “O” : “You and me together on electric light”, unem o gótico ao glam e ao rock: Suede: “We can be together in the nuclear sky (agudo)”. Gótico: “Stay together (solo agudíssimo de Oakes)”. A poética: “Two hearts under the skies remain”. “Paradise? Or have you come to touch me?”. As luzes apagam-se em palco: “Come to my arms or not”. “Single file in the nuclear night”. “OOOOO”. Palmas. “Many Thanks”. “Apparently we don`t have lights. But we`ll carry on”. “New Generation”: “And we shake it around in the underground”. A esperança: “And like a new generation rise”. “OOOO”. “Like all the boys in all the cities I take the poison I take the pity”, a melodia que suporta os versos é negra, a métrica é rock and roll: “OOOOOO She is calling! Here in my head! Can you hear her calling? (solo distorcido de Oakes)”. Agudos angustiantes dementes: a hipoxifilia: “And I'm losing myself, losing myself to you”. A rotina: “I wake up every day, to find her back again (solo de Oakes)”. Quando a bateria desfere a métrica dois por dois com os respectivos breaks, o palco começa a ser manchado por focos vermelhos que iluminam Suede, maioritariamente vestidos de escuro. “Cos like all the boys in all the cities, I take the poison I take the pity”. O terceiro parceiro da relação amorosa: “We take the pills to find each other”. “Can you hear her calling?”. Estabelece-se a progressão dos acordes de “I`m loosing myself to youuu (solo Oakes)”. “To you (solo de Oakes)”. “To you (solo de Oakes)”, o bombo marca o desacelerar do ritmo, o baixo sobressai, e Brett Anderson assobia como um Guarda Rios. “Obrigado! We have being Suede! Thank you so much!”. O ritmo é paralelo à métrica da guitarra: o hino: “High on diesel and gasoline, psycho for drum machine”, “hits”, “on the pill, got too much time to kill”. “Sing it! For once!” Brett Anderson: “OOOO”. Público: “OOOO”. Brett Anderson: “Oh, here they come, the beautiful ones, the beautiful ones”. “You don`t think about it, You don`t do without it, because you are beautiful, And if your baby is going crazy, that`s how you made me.”. “COMMON!”. “Lalalallalalalallalaallalalallalalallalalalallaalallalalallalalal (solo progressivo de Oakes) alalallalalallalalalallalla”. “Obrigado! Goodnight”. “Hello again”. Guitarra semi distorcida, bateria + baixo a meio tempo e a voz de Brett Anderson narra o dia: “Today she's been working, she's been talking, she's been smoking”. Suavemente: “But it'll be alright”, “Cos tonight we'll go dancing, we'll go laughing, we'll get car sick”. A eterna solidão: “and it'll be okay like everyone says”, “OOOO whatever makes her happy on a Saturday night, Saturday night”. Diminuem a altura dos instrumentos e a voz ganha uma textura premonitória: “Cos tonight we'll go drinking we'll do silly things”, a melodia é tão negra quanto pernisiosamente kitsh, que a colocam no precipicio da perfeição. “I`ll be ok”. “It´ ll be allright” . Aponta o microfone para o público: “Sing”: Público: “On a Saturday Night”. Brett Anderson: “On a Saturday Night”. Público: “On a Saturday Night”. Brett Anderson: “On a Saturday Night (solo de Oakes)”. “We'll go to peep shows and freak shows”. “We`ll go to discos, casinos”, “We`ll go where people go and let go”, “oh whatever makes her happy on a saturday night.”. “OOLALALA (solo de Oakes violentamente distorcido)” . “OOLALALA (solo de Oakes violentamente distorcido)” . “OOLALALA (solo de Oakes violentamente distorcido)”. “OOLALALA (solo de Oakes violentamente distorcido)”. “OOLALALA (solo de Oakes violentamente distorcido e progressivo)”. A guitarra acustica insere os acordes dolentes de “Still life”, o sintetizador cria uma textura provinda de matéria sonhada. A voz: “This still life is all I ever do”, “I'll go into the night into the night”. O compasso de espera: “There by the window quietly killed for you”. Voz + guitarra acustica e sintetizador: “They hired a car for you”. “To go into the night, into the night”, “into the night”, “into the night”. “She and I into the night”: “And this still life is all I ever do”: “There by the window quietly killed for you”. “Stay”. “All ever do”. “Stay all right”. “Stay”, mantêm-se estáticas as cores dramaticamente negras, “Stay long (falseto)”. Surge a bifurcação, o teclado aumenta a tónica sobre os graves, e Richard Oakes troca de guitarra, e desfere um solo épico eléctrico que se cola e dá continuidade à malha do sintetizador e consequentemente prolonga a nossa memoria para um universo em constante mutação.



Suede, 7 de Junho, Primavera Sound Porto @ Porto