Saturday, October 24, 2015

Caixa Negra

Em Portugal haviam-se passado seis anos sobre o vinte e cinco de Abril de 1974, quando se dá a revolução Pop/rock que replicou culturalmente a do Reino Unido com vinte anos atraso, finalmente existiam adolescentes abertamente contrários aos pais salazarentos, há uma mudança de paradigma social, o povo já não saia à rua somente para trabalhar, a liberdade empurrou-os para os bares e discotecas. Os GNR fizeram parte da revolução denominada por rock português (o rock ou a música clássica não têm nacionalidade, são disciplinas que podem ser manipuladas com os mais diversos fins, somente assim é que devem ser perspectivadas), mas o que este título demonstrava é que existia o cuidado, pelos diversos agentes culturais, de usar a língua portuguesa como meio de comunicar com os portugueses, por clara oposição às bandas Ié-Ié que conquistaram Portugal na década de 60. Os GNR destacaram-se desde 1981 através destes três pontos deveras importantes: pautaram o seu percurso com constantes investidas em línguas estrangeiras, que por vezes misturavam com o português, nessa medida não fazem parte totalmente do rock português; uma lírica que é mais abstracta do que naturalista, por vezes estes dois conceitos artísticos encontravam-se discorridos numa mesma canção; a procura de uma fórmula da canção Pop perfeita, quando a almejavam propunham-se a subir a parada e consequentemente reinventavam-se. Os GNR eram uma ilha no quadro artístico Pop português, que sofreu diversas alterações na sua composição, que foram alvo de censura por uma rádio agregada à religião católica, e de chacota e discriminação por parte da imprensa pouco ou nada especializada, à qual não agradava que numa cidade distante e quase “medieval” existisse um foco de criatividade impregnado de originalidade. O vanguardismo Pop era, e ainda é dominado pelos GNR, as características congénitas mantêm-se inalteradas mesmo que tenham sido bafejados pelo sucesso, a sua relevância cultural é mais importante do que o número de cópias vendidas, por exemplo, pelo “Rock in Rio Douro” de 1992. Há uma fronteira entre o passado e o futuro na noite de 10 de Outubro de 1992, na qual os GNR encheram o Estádio de Alvalade, que até aí somente servia para que as estrelas Pop internacionais jogassem à bola, opera-se assim a ocupação de um “território estrangeiro”. Nessa noite, a utopia cedeu por força da imagética dos GNR, consequentemente criaram a sua própria revolução que transformou Portugal num país moderno e em que a geração que os aplaudia desejava ser um GNR. Eu fazia parte desse grupo que delirava com as suas canções, que se revia na mestria melódica que foram delineando ao longo dos anos e que hoje é dominada por Tóli César Machado, e se identificava com a poesia de Rui Reininho que transformava cada concerto na emulação do efémero. Apesar de escrever no pretérito passado, cada uma das palavras acima transcritas, têm o mesmo valor hoje, vinte e três de Outubro de dois mil quinze do século vinte e um, passaram trinta e quatro anos desde que se reuniram sob a designação de GNR, marcaram a convocatória para o Coliseu do Porto a pretexto da edição de “Caixa Negra”, onde me encontro ansiosamente à espera de Rui Reininho (voz), Tóli César Machado (guitarras, percussão, acordeão), Jorge Romão (baixo eléctrico), são recebidos de braços abertos pela multidão, acompanhados por Samuel Palitos (bateria), Paulo Borges (teclados) e Tiago Maia (guitarra eléctrica, harmónica). As duas primeiras canções, “Caixa Negra” e “Triste Titan”, revelam uma bipolaridade que sempre fez parte da consciência Pop dos GNR, a primeira é um portento que reinscreve continuamente a melodia, evitando qualquer princípio de tédio, antes incutindo um vício impossível de desintoxicar. “Triste Titan” é um excedente de beleza que hipnotiza através da sua extremada delicadeza, um malmequer que em vez de pétalas brancas tem raios da lua, que uma criança arranca enquanto ouve a ladainha: “E tu vais a banhos a milhares de anos”, as palmas do público retiraram-na pontualmente do seu universo tão belo quanto utópico. Rui Reininho lamenta o facto de o Coliseu do Porto não ter lotação esgotada, por escassos oitocentos lugares, “não temos uma casa cheia”, nem “gunas” à porta. Esta sua irreverência, despoletou continuamente uma linha de portugueses anti- Reininho, uma seita de moralistas que esgrimiam diversas considerações, através de diversos meios de comunicação; veja-se o exemplo do jornalista da Lusa que declarou publicamente, após o concerto dos GNR no Super Bock Super Rock de 1995, o fim da banda, “lá vai aço”. “Telefone Pecca” é apresentada num colorido rock mas que advém de uma linha melódica kitsch, Rui Reininho canta como se estivesse aparentemente a brincar ao telefone estragado, com uma violência contida segura de cada uma das palavras que descrevem “uma máquina que fala”, os coros: “pá, pá, pá”, respondem-lhe absurdamente, em cada acorde ganha actualidade, e devido à sua urgência surrealista jamais cristalizará. “Efectivamente” perdeu o início imposto pelo teclado, substituído pelas guitarras de Tóli César Machado e Tiago Maia, que em crescendo impõem aos restantes elementos os seus acordes alegres de tão saltitantes, o hino à liberdade de expressão ou à comunhão de opostos e dessa forma reafirmar através da fábula que a realidade é uma fantasia. Rui Reininho sentencia: “Espera-nos uma longa noite”; “quando estou com vocês é sempre Sábado”. “Homens Temporariamente Sós” é uma das canções dos GNR em que se evidencia a fragilidade dos homens, que não encontram no seu espelho um outro rosto que os acarinhe, uma lírica que impõe uma dor que marginaliza a razão e a agrega a uma solidão eterna. Dominada por um teclado noctívago, este centro impõe densidade cromática, quando embalada pelo baixo eléctrico de Jorge Romão e a bateria de Samuel Palitos a dor cresce, a guitarra eléctrica de Tiago Maia em regime de slide guitar, é o gemido de uma orca assassina por ter sido relegada ao ostracismo. Pausa. “Não há qualquer tragédia, mas um vinho a beber”. A sexta canção, “Pós-Modernos”, comporta um ritmo curto delineado pelo sintetizador que lhe apraz uma constante exaltação kitsch, a que se soma a uma poesia anti-consumista com direito a um refrão rap actualizado: “Ipod”, “Ipad”, “High Tech”. “+ Vale Nunca” combina uma música Pop alegre com ditames que afrontam o envelhecimento, há histeria na sala, as pessoas batem palmas e dançam como se tivessem dezasseis anos, e como Peter Pan personificam o eterno estágio do desenvolvimento em que impera a inocência. Rui Reininho apresenta Helton: “O melhor homem do mundo a seus postes, e compatriota de Roberto Carlos!”, que irá cantar com os GNR “Inferno”. O brasileiro discursa: “Muito obrigado pelo convite GNR, é a maior satisfação estar junto a vocês”, ele que toca bateria numa banda de inspiração cristã, não terá lido a lírica de “Vídeo Maria”? “Inferno” é explanada seguindo a melodia dengosa do rock tropical, a melodia não se encontra totalmente dominada pela guitarra eléctrica (como sucedia com a intervenção de Andy Torrence), ganhando uma amplitude estética mais actual, menos anos sessenta, quando era um dos porta-estandartes neo-decadentes de um Brasil dominado por uma elite urbana que festejava uma vida cheia de glamour, defendida pela ditadura militar. Tanto Rui Reininho quanto Helton complementam-se, o primeiro concentrado na dor vã de um garoto rico, o outro dá pulos como se tivesse snifado coca dos peitos de uma menina. Quando a canção ganha um andamento acelerado reverberando as cores de um palácio, que tem como pano de fundo cortinados cor de vinho, reina a diversão e a loucura por parte do público. Rui Reininho e Helton abraçam-se, este toma de novo a palavra: “Obrigado Coliseu! Obrigado GNR! Obrigado Porto!”, sai com um sorriso assoberbado. “Sub-16” é a canção dos GNR que os revela multiplamente: tem um corpo Pop que é vilipendiado pela guitarra eléctrica de Tiago Maia criando uma máscara rock, as variações rítmicas e pausas oferecem-lhe um elixir da eterna juventude; a lírica é o retrato de um adolescente que reage instintivamente ao mundo mutável à sua volta, “à volta do quarto, nuvem de cabelo em pé”. Para além de Rui Reininho conferir a Tolkien um pedestal Pop, não será o sonho de qualquer escritor? Antes da décima canção, “Popless”, Rui Reininho revela o seu carinho para com esta balada Pop luminosa: “A próxima música, nunca conseguimos abandonar, é como aquelas doenças de pele”; uma clara referência à vitiligo que pigmentou Michael Jackson de uma brancura marmórea? “Popless” é delineada lentamente e gradualmente e os GNR vão pincelando-a com uma densidade cromática que transcreve uma mulher sensual, “linda”, “bela”, e cada um pode ver no espelho a sua cara-metade. Para cantar, “Dançar SOS”, Rui Reininho convida a subir ao palco do Coliseu do Porto a “magnífica, portentosa, Rita Redshoes”, surge com um vestido preto. A canção é dotada de uma lógica negra marcada pelo teclado de Tóli César Machado e pelo baixo eléctrico de Jorge Romão; no dueto há uma clara troca de papéis Rui Reininho com um timbre quente e sofrido expressa uma dor contida, a sua corresponde tem uma voz seca ou mesmo fria, mas que paradoxalmente se complementam na contra cena, e quando se cruzam, “viver com mais gente”, parecem um casal de estranhos a compartilhar uma nesga do televisor ou da mesa ou da cama ou mesmo do caixão. A viagem por entre a história dos GNR prossegue com “Honolulu”, dominada por um teclado negro que nos remete para um universo pautado por figuras efémeras do Noronha da Costa, um feixe de luz vermelho rasga a tela negra ou ainda uma mulher dissolve-se sobre um rochedo onde se esmigalham ondas que nos salpicam com a eterna saudade, “quanto do teu sal são lágrimas de Portugal”? “A chupar rebuçados”, o bombo em vez de a retirar do seu estado dilacerante impinge-lhe mais dor, “vai tu, vou eu”, aumentam uma oitava e a ferida abre-se numa queimadura de um cigarro tortuoso, “bye, bye”, “Honolulu”. Antes do clássico, “Vídeo Maria”, Rui Reininho homenageia Tóli César Machado e Jorge Romão, os seus companheiros de sempre, por lhe terem ofertado “esta vida maravilhosa”. “Vídeo Maria” é uma súmula Pop que fervilha num leito pecaminoso, o baixo eléctrico de Jorge Romão desenha toda uma cadência que remete para a dança, “entro numa igreja fria”, a guitarra Tóli César Machado apropria-se de tonalidades profundamente kitsch assim como os sintetizadores de Paulo Borges, as pessoas batem palmas e acompanham o ritmo com breaks de Samuel Palitos que institui cores brilhantes, “que é casta eu sei, virgem ou não…”. Rui Reininho não esquece o raper luso angolano que se encontrava em greve de fome, aliás numa maratona da greve de fome, “aos nossos colegas na prisão”, o público vibra com a menção, bate palmas e grita. “Las Vagas” polvilha o Coliseu do Porto com uma contenção incontida do Rock, com diversas e rápidas alterações rítmicas tudo devidamente encenado para que seja perfeita a hipnose que instituem a letrados psiconautas. Rui Reininho convida, “Tim… Timóteo”, que é nada mais nada menos que o homem forte dos seculares Xutos & Pontapés, onde milita como cantor e enverga normalmente um baixo eléctrico, porém surge com uma guitarra acústica, e é educado para com os portuenses: “Boa noite Rui, boa noite GNR, boa noite Porto”. Os GNR preparam-se para tocar “Quando eu Morrer”, que gravaram para um tributo aos Xutos & Pontapés denominado “XX Anos, XX Bandas” (1999). “Quando eu Morrer” é lentamente tocada com um crescendo que se vai adensando como se fosse um pó desértico que cobre um fragmento de pedra, a letra versa sobre a proibição de se oferecer “flores a quem morre de cancro”, que de facto é, se for, uma metáfora vazia de sentido. O dueto entre Rui Reininho e Tim decorre de uma relação de parcimónia, cada um ocupando o seu lugar na canção, isto, repercute-se nos restantes músicos. “Explosão nuclear”. A décima sexta canção é “Bellevue”, um torneado tão delicado quanto negro, música para o carrossel idealizado por Basky na edílica Dismaland, quem canta é Tim e o seu timbre é subtil como se tivesse medo de enunciar o percurso que toma a personagem principal da canção, distante do seu timbre grave e monocórdico que usa recorrentemente com os Xutos & Pontapés, “salto à janela com muita atenção”. Rui Reininho responde-lhe num canto de quem conhece o fim da narrativa, “um foco de luz no último estertor”, no qual descobre uma cama, “salto para cima experimento o colchão”, mas, mesmo que diariamente compareça no mesmo local à mesma hora: “Ninguém comparece ao meu rendez-vous”. A décima sétima canção é a suavizante e encantadora “Asas”, que liberta os presentes da angústia provocada pela “Bellevue”, um tónico perfumado com um éter dissolvido numa pipeta volumétrica. “MacABRO”, o nevoeiro que a circunda é como uma valsa composta para ser cantada no porão de um navio fantasma, há dois comandantes: Tóli César Machado ao piano que mente em cada nota enunciando uma nefasta festividade Pop e Rui Reininho a voz das almas penadas, “cá em casa é tudo feito à mão; que nos sirva de lição”, as palmas eclodem a festejar um milagre inexplicável, um coro de bêbados respondem-lhe: “Lalalala”, quando a maré ganha balanço julgam que estão a andar sobre água ao lado de Jesus Cristo. “Cá em casa é tudo feito à mão”. Dois desses coristas alcoolizados são uns “mariachis”, vestidos com fatos escuros com brilhantes e chapéus de dez galões sobre a cabeça, “que viva México”, que poderiam constar como figurantes numa película do Sergio Leone. Estes empunham trompetes e os restantes GNR iniciam “Nova Gente”, que tem uma métrica curta e repetitiva que lhe oferece uma dinâmica de baile Pop, na qual se tentam encaixar os metais e tal somente sucede quando o ângulo da melodia ganha elasticidade, elevando-a à condição de vanguardismo kitch; a perspectiva sobre Portugal encontra-se espelhada no verso: “Vivo numa ilha tropical”, é o elogio irónico a um país em que tudo se encontra ao contrário, e consequentemente põe em causa um Estado que naturalmente devora os seus filhos. Antes de “Pronúncia do Norte”, Rui Reininho comete uma “inconfidência, fui curado esta semana” da Hepatite C que o achacava há duas décadas, as pessoas aplaudem e gritam. O piano é dedilhado por Paulo Borges, “Pronúncia do Norte” é o hino não somente de uma região mas de um sentir, que é impossível de transcrever através das palavras, “é a pronúncia do norte os tontos chamam-lhe torpe”, o público entoa: “É a pronúncia do norte”, quando o bater do coração deste corpo abstracto emerge com a devida conivência dramática do acordeão de Tóli César Machado, relegam-na para o domínio do épico. Para, “Morte ao Sol”, os GNR convocam a gaita-de-foles de Gonçalo Marques, devidamente fardado de gaiteiro, que sopra o blowpipe que remete para uma terra remota que alberga uma caixa negra, desloca-se para a boca de cena, enquanto Tóli César Machado marca compassadamente o ritmo sobre uma precursão digital que se intromete na divagação esotérica do gaiteiro, associados no teclado de Paulo Borges. Rui Reininho: “Estou contente se a luz de esvai”, o baixo eléctrico de Jorge Romão dá continuidade ao festim negro, e é a vez de Rita Redshoes interferir na narrativa: “Metamorfoses de horror”; Rui Reininho: “vão demorar”-- se em “Dançar SOS” o dueto foi de facto equilibrado-- em “Morte ao Sol” a força que a desequilibra é a cantora lisboeta, a espaços encontra-se devidamente enquadrada com o ritmo; e não revela através do seu timbre feminino os versos, e a única forma de se livrar das fraquezas é elevar a voz antecedendo-se a Rui Reininho que outorga: “outra voz”. Quando, “Morte ao Sol”, ganha o seu pico dramático Rui Reininho agradece a presença da Rita Redshoes, que lhe responde: “É uma honra estar aqui com os GNR”. A vigésima segunda canção, “Sangue Oculto”, é uma soberba incandescente exultação de um rock latino, aprofundada pela inserção dos sopros dos mariachis alcoolizados, a lírica explora o paradoxo como fundamento estético. “Cadeira Eléctrica” revela-se através de um composto power Pop, dominada por um ritmo dengoso e curto, procurando dessa forma uma ambiguidade que se fosse uma textura seria a peruca do Andy Warhol, “há na China uma barragem suicida, para quem quer mudar de vida”. A primeira canção do encore, “Corpos”, tem uma estrutura Pop com diversas e alternadas variações rítmicas, a lírica é o espelho da dicotomia entre o corpo humano e a moda, que não é nada pacífica, “a moda é tão periférica”; “a moda é passageira”; “o corpo pega como um tractor”; “o corpo é porco porque quer”. A vigésima quinta canção, “Morrer em Português”, é apresentada numa vertente em que os decibéis são rejeitados das guitarras eléctricas são associados a um ritmo quase punk, a tomarem a dianteira desta ode à morte, decepando-a gradualmente da sua original efervescência Pop/Rock; Rui Reininho canta excluído desta inesperada agressividade, “tentaram-te engatar sabendo que és fria?”. A penúltima canção a ser tocada pelos GNR é “Ana Lee”, a guitarra acústica insere os acordes Pop exóticos, o público canta: “Ana Lee, Ana Lee”; Rui Reininho: “Ópio do povo”, quando o pêndulo de Foucault se movimenta, “e ao vir-me, enfim em verde tónico, no país onde reinam as cigarras”, o público bate palmas e canta o refrão, por fim Rui Reininho é peremptório sobre quem o está a amar, “são unhas que cravam na pele em mim”. Os portuenses quando ouvem o bombo do Samuel Palitos, batem palmas e entram numa histeria incontrolável, como se estivessem a ouvir pela primeira vez “Dunas”, ou, através desta reviverem momentos idílicos da sua vida sentimental, é arrebatador o poder desta canção, que inquestionavelmente criou nos portugueses a noção do que é o Verão. Rui Reininho nem precisa de cantar, é substituído pelas vozes dos presentes, Tóli César Machado tem ao peito o acordeão que está em suspenso e Jorge Romão recusa dar persecução a “Dunas”, quando tal sucede não encobrem o coro do povo, “dunas”. Surgem no palco os convidados que entoam o refrão, quando os GNR dão por encerrada a sua caixa negra, abraçam-se e vergam-se numa enorme vénia perante o público no Coliseu do Porto, que tal como eu, os venera.

“Caixa Negra”, GNR, 23 de Outubro @ Coliseu do Porto