Friday, May 20, 2016

M. Train

Bruce Springsteen com a guitarra a eléctrica a tiracolo sobe ao Palco Mundo do Rock in Rio Lisboa, antes que se apaguem os ecrãs que debitam publicidade, está à sua frente uma plateia de milhares de pessoas espalhadas num parque temático dedicado ao consumo, aos quais se dirige-se: “Olá Lisboa! Olá Portugal!”. “Badlands” tem uma cadência predominante Rock and Roll, com destaque para as guitarras e para a bateria que arquitectam uma estrutura imponentemente raw. O solo da guitarra eléctrica de Bruce Springsteen é sublinhado pelo saxofone; a E. Street Band ganha uma dimensão épica. Bruce Springsteen ergue os braços e despoleta outros tantos à sua frente, “OOOO”, “badlands”; durante a pausa a multidão ovaciona histericamente Bruce Springsteen e a E. Street Band; e determinam um fim rápido e simultaneamente agressivo.“No Surrender” é iniciada após a contagem crescente de Bruce Springsteen: “1-2-3-4”; domina uma dinâmica rock com o piano a remeter para o Rock and Roll, “close your eyes and follow your dreams down”. A seguir ao break da bateria Bruce Springsteen determina: “Portugal out of the streets”; as guitarras acrescentam uma urgência festiva à canção sobre as quais sola o saxofone, com as guitarras rematando-a visceralmente. Em “My Love Will Not Let You Down” sobressai uma tonalidade preponderantemente rock mas adocicada pelo piano Pop, a voz de Bruce Springsteen canta que: “I just can`t sleep”. “Just won`t keep”; “away”; solo do saxofone; “at night I walk the streets looking for romance”. Solo agudíssimo por parte do Bruce Springsteen; e os teclados Pop destacam-se da malha das guitarras eléctricas; e a bateria inscreve um solo épico; quando a finalizam recebem estridentes aplausos. Bruce Springsteen dá início ao quarto tema da noite “Cover Me” com a contagem: “1-2-3-4”. A E. Street Band incorre num blues mesclado com o Rock and Roll, “come on baby”, “cover me”, o baixo eléctrico ganha destaque sublinhando a perspectiva blues enunciada anteriormente, “cover me”. Bruce Springsteen sola numa vertente rock e obtém a resposta do seu parceiro nuns acordes blues. “Cover me baby”. Sobre a progressão Rock and Roll Bruce Sprigsteen sola; sentenciam um fim que é nada mais nada menos que épico. Estas quatro canções foram executadas em regime de quase non stop com o objectivo de cilindrar o ouvinte. Depois de uma pausa prolongada Bruce Springsteen e a E. Street Band introduzem os acordes da “Darkness on the Edge of Town”, que são desenhados pela parcimónia do piano romântico mas que é perturbado pelas guitarras semi-distorcidas. “Now I hear she's got a house up in Fairview”. Associam-se a um negrume que prenúncia dramatismo: “And tell her, there's a darkness on the edge of town/ Everybody's got a secret, Sonny”. O Bruce Springsteen sola a sua guitarra eléctrica como se fosse uma voz feminina, a bateria marca o compasso do drama, “where no one asks any questions”, o piano sobrevém a sublinhar na melodia o seu carácter de tragédia americana. A camisa e o colete negro de Bruce Springsteen estão suados mas aparentemente não está cansado e questiona o público: “Allwright! Are you hungry Portugal?”, e recebe uma resposta desordenada por parte dos portugueses. Bruce Springsteen sem a guitarra eléctrica empunha a microfone e a E. Street Band endossa os acordes de “Hungry Heart”, e o público entoa os versos: “Everybody's got a hungry heart/ Everybody's got a hungry heart”. Bruce Sprinsgteen incita-os a continuarem, “common!”, e desafia-os a cantar mais alto, “I can´t hear you!”. “Everybody's got a hungry heart/ Everybody's got a hungry heart”. A E. Street Band progressivamente torna-se cada vez mais presente, com destaque para o piano que representa a melodia alegre, subsequentemente sola o saxofone e Bruce Springsteen canta: “Got a wife and kids in Baltimore, Jack”, desloca-se pela passadeira e canta junto ao povo, “hungry heart”; o público com Bruce Springsteen: “Everybody's got a hungry heart”, uma guitarra eléctrica sola-rock sobre as notas melodiosas do piano. O saxofonista sola no palco e segue Bruce Springsteen: “Everybody's got a hungry heart”; é a vez de ressoar o Hammond, coro: “Heart, heart”… Já “The Promised Land” tem um violino que não se deixa esvanecer às mãos das guitarras rock, “driving cross the Waynesboro county line”; há uma progressão que lhe incute dramatismo e o coro responde a Bruce Springsteen: “Promise land”. “I get up every morning and go to work each day”. “Take a knife and cut this pain from my heart”. A pausa permite que a bateria surja isolada num lampejo épico, “promise land”, seguido pelo teclado, o saxofone ressoa enquanto persegue o Bruce Springsteen na passadeira, e a sua harmónica intromete-se na canção: “Blow away the dreams that break your heart”; as luzes brancas iluminam a multidão de braços a baloiçar ao ritmo rock; “I believe in a promised land...”; que é finalizada epicamente. “Out in the Street” decorre de uma bateria rock onde os restantes instrumentos se encaixam, exceptuando o dissidente e omnipresente piano. Bruce Springsteen tem uma voz rouca que canta: “Put on your best dress baby”; a progressão que a E. Street Band enceta é predominantemente rock. “When I'm out in the street”. “When I'm out in the street”. Coro: “OOO”. Público: “OOOO”. Bruce Springsteen: “Out of the streets!”. Público: “OOO”. Bruce Sprignsteen: “Yeah! Yeah!”. “When I'm out in the street, girl”. A violinista canta: “Out of the street”. Público: “OOOO”. Fazem um intervalo prolongado antes de tocarem “Downbound Train”. Bruce Springsteen domina a guitarra eléctrica semi-distorcida que é a guia da E. Street Band, seguida por uma bateria assumidamente pop, “our love went bad, times got hard”. “Don't you feel like you're a rider on a downbound train?”. As cores que emanam da E. Street Band são inconfessadamente Pop, “she packed her bags left me behind”; o Hammond adensa a melodia pontualmente; “last night I heard your voice”. Bruce Springsteen dolorosamente: “The room was dark, our bed was empty”. “Rain”. A canção seguinte “I'm on Fire” tem por base um groove do órgão em loop, Bruce Springsteen está fixo com o microfone no tripé e narra a vida de uma: “Hey, little girl, is your daddy home?/ Did he go and leave you all alone?/ I got a bad desire/ Oh-oh-oh, I'm on fire”. O baixo eléctrico destaca-se suavemente do groove dando-lhe profundidade e dessa forma institui a tridimensionalidade: “Tell me now, baby, is he good to you?/ And can he do to you the things that I do? Oh, no/ I can take you higher/ Oh-oh-oh, I'm on fire, I'm on fire”. O teclado serpenteia melodicamente sobre o groove repleto de uma contenção hipnótica: “Sometimes it's like someone took a knife, baby/ Edgy and dull/ And cut a six-inch valley/ Through the middle of my soul”. O psicadelismo enuncia-se através do ondular da melodia negra, a sua voz confessa: “Only you can cool my desire/ Oh-oh-oh, I'm on fire/ Oh-oh-oh, I'm on fire/ Oh-oh-oh, I'm on fire”. A “Atlantic City” é dominada pela guitarra eléctrica de Bruce Springsteen, em redor da qual gravita a E. Street Band numa cadência lenta; “in Philly last night”; “boys can do”; “the D.A.”; “promenade”; “put your makeup on fix your hair up pretty and meet me tonight in Atlantic City”; sobre a melodia tristonha intromete-se o violino da violonista que nada acrescenta de positivo à canção. “Well I got a job and tried to put my money away”. “OOOO”. Bruce Springsteen introduz o “1-2-3-4”, e o ritmo passa do slow rock romântico para um marcial, “meet me tonight in Atlantic City”, com a adição do violino incapaz de lhe introduzir o dramatismo, o crescendo rítmico enuncia o seu fim. “Darlington County” tem uma introdução country rock, as guitarras semi-distorcidas subtraem parcialmente o country e realçam o rock, “driving in to Darlington City”; e antes do refrão: “Sha la la, sha la la la la” com direito a coro: “Sha la la, sha la la la la”, resvalam para o pub rock; “hey little girl, standing on the corner”. Bruce Springsteen encontra-se a cantar junto ao público, oferecendo à canção um epíteto festivo; “our pa's each own one of the World Trade Centers”; “Sha la la, sha la la la la”; coro: “Sha la la, sha la la la la”. Na “Working on the Highway” sobrevém o pressuposto rítmico de uma batida alegre, que encontra ressonância na guitarra acústica do Bruce Springsteen: “Guys fresh out of work”; sobressai o country; “some looking to get hurt”. Há um crescendo em que o todo ganha dimensão sónica e é maximizado o country: “Working on the highway, laying down the blacktop”; e o violino ancora-a numa paisagem redundantemente country. “Johnny 99” é apresentada através dos acordes repetitivos da guitarra eléctrica de Bruce Springsteen que indicam que estamos perante uma canção rock, a sua voz é rude: “He got a gun shot a night clerk now they call 'm Johnny 99”. A E. Street Band emoldura os seus acordes: o piano é o representante de um tipificado Rock and Roll, assim como o violino ou a slide guitar, mas o saxofone é divinamente refrescante. Pausa. Sobre o batuque da bateria Bruce Sprigsteen canta: “Away”. “The bank was holdin' my mortgage and they was takin' my house away”. A harmónica de Bruce Springsteen introduz “The River”, toca lentamente a guitarra acústica e canta premeditadamente: “I come from down in the valley”; “when she was just seventeen”; a E. Street Band assume uma balada de tonalidades tristonhas; “We'd go down to the river”. “And for my nineteenth birthday I got a union card and a wedding coat”. Bruce Springsteen reintroduz a harmónica e tem à sua frente milhares de telemóveis ondulantes acompanhando-o no seu drama negro. O coro: “OOO down to the river”. Bruce Sprignsteen: “OOOO”. A E. Street Band debita mais aceleradamente a canção na expectativa de que o público responda mais assertivamente ao demando do líder. “OOO”. A canção que Bruce Springsteen escreveu com a Patti Smith “Because the Night”; tem um serpentear melódico instituído pelo piano sobre o qual Bruce Springsteen canta: “Take me now baby here as I am/ Pull me close, try and understand”; e a E. Street Band intromete-se em vão ao tentar inculcar-lhe um ceptro épico, a poesia perde-se no cântico rock: “Come on now try and understand/ The way I feel when I'm in your hands”; por instantes demonstram uma urgência de salutar: “They can't hurt you now/ Can't hurt you now, can't hurt you now”. E o refrão é cantado com raiva: “Because the night belongs to lovers/ Because the night belongs to us”; parece que a E. Street Band não acerta com o compasso e a melodia perde-se num frágil contorno. Redimem-se ao se apropriarem de uma densidade dramática, “the way I feel”; “can´t hurt you now”. “Because the night belong to lovers”. Bruce Springsteen insere um solo magistral que oferece à canção uma vertigem impossível de ignorar; é seguido pelo saxofone que sublinha o seu carácter épico; e o guitarrista da cartola sola enquanto rodopia e as luzes brilham e apagam-se e as palmas eclodem. Antes da canção “Spirit in the Night”, Bruce Springsteen encarna num missionário americano: “Can you feel the spirit now?”, resposta imediata da multidão: “YEAH!”. “Can you feel the spirit now?”. “YEAH!”. Bruce Springsteen levanta os braços e abana as mãos para que o público sinta a sua alma e baptiza-os com a cruz do Rock and Roll. “1-2-3-4”, o que parece um espiritual negro transforma-se num Rock and Roll, com o saxofone a solar de forma suprema; após a pausa domina o blues; os braços do público dançam aleatoriamente. “All duded up for Saturday night”. “I got a bottle of rosé so let's try it”. “And I'll take you all out to where the gypsy angels go”. “And they dance like spirits in the night (all night), in the night (all night)”. Há uma festividade nos acordes do refrão que sublinham a sua preposição soul: “Spirits in the night (all night), in the night (all night)”. A “Lonesome Day” é dominada pelo violino e marcada pelo compasso rock da bateria; a E. Street Band dá continuidade em crescendo à melodia que emana do violino e inscrevem uma festividade continuamente épica. “Everything I needed to know about you”. “But I didn't really know that much”. Após o: “If I can just get through this lonesome day”, a música ganha um fim libertário que contagia o público. “It's allright? It's allright? It's allright”. A “The Rising” tem o Hammond a repetir uns acordes tristonhos que são repetidos pelo violino e que em crescendo enunciam uma canção alegre; a batida da bateria tem o poder de inserir-lhe um pulsar contido: “Come on up for the rising/ Com on up, lay your hands in mine”. Coro: “Come on up for the rising tonight”. E ganham uma dimensão hiperbólica de pop-rock, “left the house this morning”, erguem-se os braços da multidão em comunhão com a E. Street Band. “Thunder Road” é iniciada pela harmónica de Bruce Springsteen e o piano ressalta uma melodia triste: “The screen door slams/ Mary's dress waves/ Like a vision she dances across the porch/ As the radio plays”. A balada ganha um contorno de drama com o acompanhamento do violino: “Darling you know just what I'm here for”; o público atento à sua lamúria entoa com Bruce Springsteen: “So you're scared and you're thinking/ That maybe we ain't that young anymore”. Somente Bruce Springsteen: “Oh and that's alright with me”. A bateria retira-a do seu reduto negro e remete-a para uma festividade manchada por um bucolismo lacónico, acompanha-a a E. Street Band erguendo uma tocha do Rock and Roll, e o palco transforma-se num quadro monocromático azul e ressaltam os solos das guitarras e do piano e do saxofone que sobressaem de forma épica. Bruce Springsteen agradece as palmas: “Thank you! Obrigado! Obrigado! Obrigado Lisboa! Thank you for asking us back”. A canção “Born in the U.S.A.” tem o Hammond como elemento que propaga a melodia que é marcada por uma batida espaçada: “Born down in a dead man's town/ The first kick I took was when I hit the ground/ You end up like a dog that's been beat too much/ Till you spend half your life just covering up”; a melodia do Hammond com a complementaridade da bateria corresponde ao refrão: “Born in the U.S.A./ I was born in the U.S.A./ I was born in the U.S.A./ Born in the U.S.A.”. A E. Street Band aumenta o seu ritmo e o que parecia ser apenas uma fatalidade da natureza humana, ganha uma dimensão de hino rock para os americanos: “Got in a little hometown jam/ So they put a rifle in my hand/ Sent me off to a foreign land/ To go and kill the yellow man”. Infelizmente das colunas sai uma constante distorção que compromete severamente a audição para quem se encontra a escassos metros do palco (como é o meu caso), que não é fruto de um problema técnico de algum dos músicos mas tem origem numa deficiência grave do sistema de som. Quando é corrigido Bruce Springsteen canta heroicamente: “I had a brother at Khe Sahn fighting off the Viet Cong/ They're still there, he's all gone/ He had a woman he loved in Saigon/ I got a picture of him in her arms now”. O público delira com a canção, levanta os braços e canta: “Born in the U.S.A./ I was born in the U.S.A.”. A vigésima segunda canção “Born to Run” é iniciada com um break da bateria, a heroicidade é inserida pelo piano que se impõe como denominador comum da melodia; o crescente é consideravelmente rápido com as guitarras a inscreverem-na no Rock and Roll. “In the day we sweat it out on the streets of a runaway American dream/ At night we ride through the mansions of glory in suicide machines”, o piano reintroduz os acordes heróicos, “sprung from cages out on highway 9”. O palco do Rock In Rio Lisboa incendeia-se quando a E. Street Band eleva a canção a uma alegria contagiante. “We gotta get out while we're young/ Cause tramps like us, baby we were born to run”. “OOO”. Por sua vez “Glory Days” tem as quatro guitarras (três eléctricas e uma acústica) associadas a uma batida sustenida; e a E. Street Band exulta uma gramática Rock and Roll para ser consumida num estádio de futebol; destaca-se o Hammond que acompanha a multidão a entoar o refrão. “I had a friend was a big baseball player”. “Saw him the other night at this roadside bar”. “But all he kept talking about was”. A E. Street Band sintetiza epicamente os acordes festivos: “Glory days well they'll pass you by/ Glory days in the wink of a young girl's eye/ Glory days, glory days”. Na vigésima quarta canção “Dancing in the Dark” ressalta o violino que com a E. Street Band edifica uma composição extraordinariamente eloquente; os acordes são rápidos e assertivos como se fossem uma locomotiva de vidro em chamas. “I get up in the evening/ And I ain't got nothing to say/ I come home in the morning/ I go to bed feeling the same way/ I ain't nothing but tired/ Man I'm just tired and bored with myself/ Hey there baby, I could use just a little help”. E no refrão o rock tem um ritmo dançante: “You can't start a fire/ You can't start a fire without a spark/ This gun's for hire/ Even if we're just dancing in the dark”. O saxofonista acompanha Bruce Springsteen pela passadeira e sola epicamente, enquanto a multidão bate palmas e dança; ao susterem o ritmo retomam os acordes magnânimes da canção. Antes de “Tenth Avenue Freeze-Out”; Bruce Springsteen dirige-se à multidão: “Lisboa!”, e esta responde-lhe: “EEEEEAA”. “Lisboa”. “1-2-3-4”. A melodia do piano é o fio condutor da canção que se sobrepõe ao ritmo que é meramente uma testemunha; “let`s go!”. Bruce Springsteen encontra-se no fosso que o separa do público, enquanto a E. Street Band inscreve um blues rock: “Teardrops on the city”. Coro: “Tenth Avenue freeze-out”. O ritmo que impera é pausado com requebros rock, quando a E. Street Band o acentua como que destroem a harmonia; e o piano sola, “oh, oh yeah,! Oh yeah!”. “Obrigado”. A “Twist and Shout” dos Beatles é-lhe reforçado o seu carácter melódico e rítmico, o público delira com o decalque; o palco emana cores claras que acentuam a sonoridade da década de sessenta do século XX em que inicailmente os Beatles delapidavam o património do rock americano. Bruce Springsteen acompanhado pelo saxofone a solar desloca-se para junto do público que entra em êxtase com a sua presença de lenda do Rock and Roll. Bruce Springsteen apresenta os músicos da E. Street Band e após a ovação incorrem na “La Bamba”, uma música popular mexicana da qual fazem uma versão popularizada por Ritchey Valens, “Lisboa you say..”. Bruce Springsteen assume-se um mito através da: “The legendary E. Street Band”, que por fim erguem os instrumentos na boca de cena, “thank you! We love you! Thank you Rock in Rio!”, abandonam o palco. Ainda sob as palmas e os assobios surge Bruce Springsteen com uma guitarra acústica, é iluminado por um foco branco que o torna minúsculo e gigante em simultâneo, informa que vai tocar: “One more for Lisboa”. A “This Hard Land” tem uma harmónica e uma guitarra que introduzem uma imagética rural, e a voz de Bruce Springsteen questiona: “Well, hey there mister, can you tell me what happened to the seeds I've sown?”. A intimidade que decorre da sua voz congrega as atenções do vulgo, como se fosse um cantor country foragido da pena de morte: “Where they fall from, from my hand back into the dirt of this hard land”, “fields”; e a harmónica transporta-nos para o universo dos agrilhoados ao álcool e às drogas que cantavam canções de embalar a musas que se prostituíam para ganhar a vida.

“The River”, Bruce Springsteen and the E. Street Band, 19 de Maio, Rock in Rio Lisboa.

In loving memory of Prince.