terça-feira, 19 de abril de 2011

The Gift of Death

O piano de cauda preta está colocado sobre a boca de cena do palco do Teatro José Lúcio da Silva em Leiria. Diamanda Galás entra pela direita alta, tem uma estatura baixa, cabelos negros compridos até aos ombros, os aplausos eclodem. Quem está sentado na primeira fila, do lado direito do palco, como é o meu caso, apenas vê um quarto do rosto de Galás, o piano deveria encontrar-se no centro do palco, para melhor usufruir da sua performance. Os fotógrafos aglomeram-se próximo do local onde Galás se senta para cantar. O piano é dedilhado em sequências não lineares de agudos e graves, uma nuvem de fumo é insuflada sobre o palco, projectando um nevoeiro azul escuro, os graves impõe-se, a voz é um grito contínuo e decadente, e o cântico de uma sereia que suga a alma aos marinheiros que se enamoraram indevidamente por uma promessa celestial. “AAEIEEAEAEAAA”, “EAEAEEEEEEE”, “Not believe OOOOOO”, “IOOOOOOO”, “IOOOOOOOE”, “AEEEAAAAAAA ”, “OOOOOOO”, “OOOOOO”. Galás faz uma pequena pausa no seu chamamento, e educadamente tenta repelir os fotógrafos: “Allez!”. Aplausos. Contudo, os intrusos continuam a disparar as suas máquinas, sem flash, sobre o rosto da cantora nova iorquina. “AAAAA”, “OOOOOOOO”, “BUAAAAAAAA”, “AAAAAAA.” Galás, perde a compostura, levanta-se do banco do piano, as suas botas de cabedal preto com salto alto dão um passo em direcção aos fotógrafos, aponta com as sua mão direita de unhas longas sobre os prevaricadores: “OK! Fuck OFF! OUT!”, estes desaparecem. Aplausos. “OOOOOOOOO”, “AAAAAAAAAA”. No final deste tema Galás desculpa-se, “llo prefiero escutar a música, quando canto, no me gusta las maquinas”, a sua voz é incisivamente suave, afasta-se do dramatismo do canto que se aproxima das entranhas dos seres vivos vítimas de um parasita, que os encaminha para um fim premeditado. Uma brisa mediterrânica invade este lugar, impõem-se os agudos: “Tengo que subir al puerto AAAAA”, “Aunque vengas, vivo o muerto”, “me espera”, “AAAAI”, “se van las mas hermosas”, “AIAIAI AMOR”, “AAAAAAAAA”, “puerto”, “la guerra”, “puerto”, muito suavemente “me quiera”, “la niña que tengo”, “la nieve”, “ai amor”, o slow tem um ritmo dois por dois que lhe confere um trágico travo a kitsch. O início do terceiro tema é construído a partir da métrica da música contemporânea, onde imperam os graves que gradualmente se deixam invadir pelos agudos, a sua voz é um continuo choro de quem vê o seu amor engolido pela garganta da tempestade, o vento cria braços de ondas que em remoinho levam o grito para o interior do inferno.”EEEEEE”, os acordes de música clássica aparentemente servem para dar esperança ao afogado, que as correntes o puxam pelo pé para o fundo, grave “EEEEE”, falseto “OOOOOOOOOOOOOOOOO”, agudo/vibrato “EEeEEEeEeE”, voz infantil e distorcida “AAAAAAAAA”, “AAAAAAAAAAAAAAAA AAAAAAAAAA”, “belong”, em remoinho “OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO”, distorção, loucura, demência cancerígena, “you don` t know!”, “AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA”, voz infantil “feel”, falseto “EEEEEE”, “OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOAAAAAAAAEEEEAAAAA, “OOOAAAA”, em eco, grave e distorcido “OOOOOOOOOOOOOOOO”, “How, How”, “How, Haw”, “How, AAAOOO”, “OOAA”, fim seco. A quarta canção é um tema flamenco, isto é, transforma o estereótipo numa luta desigual entre o touro e o homem, o irracional tem a força nos cornos e estes servem para perfurar a carne do homem que se sacrifica em nome da morte. “EEAAEE”, “finale”,”EEEEEUAAAAAMAMA”, “AAA”, grave “AMOR”, “diz-me”, “finale”, “A TI”, “AAAA”, “EAOOO”, “AAAAA”. Na quinta canção a escala sobe e os graves sobrepõem-se continuamente, quando a escala desce, surgem os agudos mas são tão tímidos que o instante fá-los desaparecer: “Dans le port d`Amesterdam”, é transcrito numa lógica dramatica-irónica, a sua voz tem um trinado que parece o de um homem a cambalear por uma rua repleta de bares de mala muerte, na Ilha de Malta. “Dans le port d `Amesterdam”, e se no original a canção ganha dramatismo sensivelmente a meio, Galás apenas aumenta uma oitava e a sua voz mantém-se imperturbável a narrar a vida de um marinheiro que se faz ao mar a sonhar com as putas do porto, que lhe são mais carinhosas do que a mulher infiel. “Dans le port d`Amesterdam, il y a des marins”, “dans le port d`Amesterdam, il y a des”, os graves espalham-se sobre o piano como se fossem trepadeiras com espinhos, o sangue pinga ao ritmo descontínuo imposto pela ilógica: “plus”, black-blues, “danse”, o ritmo acelera, gargalhada“AAHAAA”, suave “mort”, “sante”, “putains d`Amesterdam”, “bien bú”, “pisser comme je pleure sur leur femme infidel”. O sexto tema tem o ritmo básico de dois por dois, mas os acordes são obviamente blues, “Oh! YEAH” é cuspido quatro vezes, “OH! YeahyeahyeahyeahyeahyeahyeahyeahAAAAA”, “Oh! Yeahyeahyeahyeahyeah”, “AAAAAAAAAAHAHHAHAH”, “YEAH”, “I can see”, a intensidade aumenta e deflagra chamas nos campos de algodão do Missisipi, “you wait to call me”, canta sequencialmente “you can talk”, “I can do” é repetido dez vezes. Os agudos estridentes surgem e imolam-se: “AAAAAA”“OOOOOOOOO”, “OOOOOOOO YEAHH”. Gritos: “OHYEAHOHYEAHOYEAHOYEAH”. Grito longo e comprido vertido da boca de um cadáver: “OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO”. Distorção vocal: “AAAAAAAAAAAAA”, “EEEEEEEEEEEEEE”. A toada blues regressa, mas somente assumindo-se como uma memória antiga, voz suave e insinuante: “AAAAEAA”, “OOOEE”, “OOOOOOOO”. Insurge-se uma voz do além, mas de uma mártir que faz da sua vida a noite “All night long”, com o piano a contorcer-se de dor. Palmas: “Obrigado”. A sétima canção é iniciada com acordes de música clássica que lentamente transformam-se numa doce opereta, relatada em hebraico, a melodia contrasta com a voz funda e grave, a narrativa é triste e violenta, é a voz de Maria do Egipto que nos pretende receber de braços abertos logo que consigamos atravessar o rio numa barca negra de cartolina queimada. A tempestade é o obstáculo para as nossas almas, “EEEEEEEE”, “EEEEEEEEEEEEEEE”, agudos “OOOOOEAAAAAAAOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO”, incendeiam a nossa barca. As três músicas finais traduzem o universo da Segunda Guerra Mundial, ou pelo menos é a indicação do início da primeira: “It`s not your sister”, “me pergunto”, “lonely”. Surge o inferno do Holocausto: “AAAAAAAAAAAOOOOOO” num falseto de boneca que se auto-mutila, “only with poison”, “AAAAAAOOOOO”, gargalhadas: “AHAHAHAHAHA”, “AHHAHAHAHHAHAHA”. O segundo tema é um tratado em francês: “C`est le rêve”, “Je veux chercher”, “pourquoi”, “passer”, “vous”, “trés”, “le rendez-vous”, com um fim de música contemporânea. No terceiro tema, os acordes de música clássica subjugam-se à contemporânea numa progressão aguda que se abandona nas mãos dos graves, o canto é másculo: “No more”, “no more pray”, “no more”, “nothing left”, “and my lover is gone”, “my eyes”, “empty hands”, “I remember the guns”, “just like mine”, a voz sobe a escala como se esta não tivesse um fim imposto pela lógica humana: “My lovers”, “Stop”. Diamanda Galás levanta-se do banco e sai pela esquerda baixa, a multidão aplaude, Galás regressa e coloca-se ao lado do piano e recebe uma ovação. O blues toma de novo posse da sua voz, “I rescue”, “flavour”, “They are two horses”, “Two wild horses”, “two wild horses”, “TwoOOOOOOOOOOOOUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUÁÁÁÁÁÁÁÁUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU”, “take”, “Don`t believe”, “lonely, lonely”, “HAAAAAAAAAAAAAAAA”, “OOOOOOOOOOOOOO”, “they never”, piano distorcido, “Have you ever?”, “Have you ever AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA”, “touch me!”. Galás sai enquanto as palmas caem sobre si, ela recolhe-se e regressa, para junto ao piano, levanta os braços paralelamente até ao cimo da cintura e atira a sua energia negra sobre nós. “One”, voz funda, “I wait”, “With flowers in my arms”, “dream”, “like my heart broken”, “the flowers”, “and the hands”, “the grief”, “my heart AAAAAAAAA”, “let`s open”, “When you came to find, I left you behind me”, “me”, “and the window”, “show me”.

The Refugee, Diamanda Galás, 16 de Abril, Teatro José Lúcio da Silva @ Leiria

segunda-feira, 21 de março de 2011

Pipe Show

É possível que às 00h30 suba ao palco a alemã da Alemanha do Leste, Nina Hagen, que é oposto à Ângela Meckel. Hagen jamais apertaria a mão de um homem snob. Entregam-me o jornal Blitz, à entrada uma mulher jovem e vistosa uma chama ou um raio, quem sabe? Iggy Pop, no Alive 11, com os Stooges a banda que o formou, mas posteriormente obteve o doutoramento de David Bowie, que o acompanhou como músico de palco numa digressão no final da década de setenta. Passa o Rei para o bar contíguo ao palco dois, onde tocam os Aquaparque, dueto esforçado, repetitivo, chatos, pretensos minimalistas, vegetas. Sujam-me as calças de cerveja gelada servida em copo de plástico, no bar transparente com mulheres belas a pontuar o espaço lunar, muitas louras, altas, baixas, vestidas de bonecas de banda desenhada. Recordo o acto dos GNR num aquaparque de Albufeira, no início dos anos noventa, a mandar todos os bêbados “para a piscina”, e esta tinha ondas artificiais. Comemoram-se os trinta anos de “Portugal na CEE”, uma promessa amarga: hoje temos todos a quarta classe: “Na rádio na TV, Portugal no BCE”. A entrada para a Sala Suggia está entupida, e são 00h20, há muita ansiedade no ar, “eu sou uma coelhinha”, fico perturbado com tanta volúpia. No Clubbing a Sala Suggia alberga mais do que as mil pessoas legalmente estipuladas, muitos estão de pé, mulheres que eram jovens, quando nasceu o fenómeno Nina Hagen, que atrai professores ou o Paulo Azevedo. A sala aplaude histericamente a entrada em palco da provocadora alemã, tem um vestido preto com folhos brancos, sob o qual constam calça de licra, salto-alto de travesti. O seu rosto parece uma mascara de tanta base branca aplicada heterogeneamente, inerentemente uma bifurcação. Os olhos e a boca sobressaem naturalmente, “Personal Jesus”, é o representante mais sublime de duas horas de espectáculo, sobressai o groove do baixo. Acrescida de comentários diversos no fim: “Thank you Portugal! It´s so good to be here, in this beautiful Portugalo!”. E evoca: “Japan disaster, I`m not the same anymore”, “spirits in the sky”, “in Worldwide World”, que é retribuída com aplausos. O segundo tema já pronuncia um mal corrosivo: espreita um bandolim libertino que namora o country, “on you”. A versão de Seal, “Killer”, apresenta um baixo possante e um groove explosivo, e a movimentação de Hagen, explora o conceito abstracto de animal de palco. Passa pelo industrial, com os clichés necessários para ser estanque, para um rock and roll de bar de alterne. A sexta canção é apresentada como “Agaist all evils”, slow soturno, “flesh”, voz grotesca, a partir do meio é repetitiva. E o discurso vale a pena memoriza-lo: “Stick together”, assim combateremos “Nuclear Disasters”, “social path”, “psycho path”, “secret society’s”, “I really hope to turn this game around”, “Portugal!! I LOVE YOU”, histeria. À sétima o desastre, hard rock, vale pela atitude de Hagen: atira o microfone para o chão, pausa, “1975”, “sorry to fuck up! But now I´m happy with my new micro!”, “east Berlim, 17, someone came from Poland”, começam a emergir os clichés estilísticos, hard-rock. Hagen: “Every place is good to pray! I `m so happy to be a human being. I could be a cow or a snake. But I`m a humain being”, uma constatação que me leva à vertigem da filosofia de alcova. A canção é um slow, a beleza recai sobre Hagen a dançar como uma lágrima de heroína sobre a prata à brasa do isqueiro Bic. A partir desta canção os apontamentos escasseiam somente se poderá explicar pela versão acústica-country de pelo menos oito canções, durante as coisas Hagen esqueceu parte das letras e à sua voz falta-lhe timbre melódico, não que seja defeito, mas nela parece postiço, típico romance decadente. Abandonam o pântano para meterem três drogas ao mesmo tempo: pop-rock-clichet. A nossa narradora continua a fazer às contas à vida, não esquece a guerra fria alimentada por figuras como “Kennedy”, “idiots”, “too visible”, “testing” , “We must tell them= Peace!”, “United Nations”, “spray in red heaven”, “once you say NO!”. Segue-se um slow de pipe show, a voz falha mas a expressão corporal ganha a atenção dos presentes, “My Way” é antecedido por um tema blues-soul. “My Way” procura ser tão drogado quanto o Sid Vicious, uma baixa na pobre artilharia punk, mas ficam-se: “did my grave”, falha a voz e mete a cabeça do microfone, que se encontra no tripé na boca como se pertencesse a um pénis. “Remember the 70s”, “remember Nick Drake?”, e aparentemente canta, apenas entoa. “Justice and Peace”, uma mulher do público encavalita-se, à frente do palco, nos ombros de um cúmplice, atira beijos à Nina, abana os braços e a revolução começa. No tema seguinte uma tia sobe ao palco, beija Hagen, é o torpedo que jamais sairá dos submarinos, a nossa lança em África. “No nuclear flames”, mais um anúncio de Hagen, a delirar com catástrofes nucleares como Chernobyl. “Riders on the Storms” é apresentada de forma hipnótica, com blues subtil do baixo, que sempre que sobressai (apenas três vezes até ao momento), reduz um excelente músico a um mero elemento presencial, uma pena: “don´t be afraid”. Que é destruída da nossa memória com duas músicas punk, a querer ser ainda mais punk, elevado grau mimético mas que o tempo anulou. As luzes acendem-se, os músicos juntam-se na boca de cena e recebem uma ovação, que jamais daremos à Ângela Merckel. Hagen, resiste à saída, aceita beijos, capas de disco para autografar, fotografias, ri, ri, e abandona o palco.

Clubbing=Aquaparque, Nina Hagen, 19 de Março, Casa da Música @ Porto

sexta-feira, 18 de março de 2011

Wolf

Joan as Police Woman entra em palco a falar com os seus dois músicos de palco, o baterista, que poderia ser o trunfo do concerto, caso não estivesse pedrado. É possível que tenha cheirado o ar poluído que Cacia espirra sobre Estarreja, o Cine encontra-se a um quarto da sua capacidade. E o teclista que é por vezes, o fio condutor entre os dois, contudo é maioritariamente subalterno outras poético. Joan, vestida the catwoman: macacão de cabedal preto, botas pretas, casaquinho de cabedal vermelho. A dominatrix da narrativa que domina um teclado ausente e uma voz que quando se eleva sobre as notas das canções, mesmo que estas sejam medíocres, a voz ganha sempre. De realçar que os técnicos de som contribuíram para tornar por vezes o concerto inaudível. Joan sobre o teclado tem dois microfones, canta deslocadamente a tentar acertar com o ritmo de “Magic”, uma canção que Britney Spears não desdenharia, não precisaria de voltar de vender a vagina. “Chemmie”, Joan aproxima-se da guitarra, coloca-a ao ombro, e coloca a sua boca de piranha de lábios pintados de rubro: “Coucou, right!”, gritos do público, “UUUU”, “only animals sounds tonight”, “I allways felt childish”. E apresentam “Chemmie” numa cadência blues old school, descai para a pop incaracterística, pop-vazia, a voz entre o macho e a fêmea: “Down”, os acordes são percorridos pelo baterista através dos pratos e a massa sonora ganha sobre o princípio e o meio. “HWW”, baixo samplado, “AAAAAA”, “Make you mine”, “AAAAAAA”, joan dedilha a guitarra como se fossem acordes de Jef Buckley, que era seu amante, aquando do seu afogamento no rio Wolf, afluente do Rio Mississípi em 1997. “Anyone”, “junkies”, “I won`t cry”, soul da Motown Records, lentamente a vomitar os dejectos, “”I feel”, “I want you”, “feel”, “for me”, “free back from the city”, “desire”, “secret”, choro, “now you”, “I `m ready to show you, how do I feel”, “you are…”, “It`s been a long time”, a lámuria do coro: “OoOOOOOOOO”, linear, Joan: “”AAAAAAAAA”, falsetto, “AAAOOOOOOAOO”. Na segunda parte desta canção, a bateria acerta no equilíbrio entre os teclados, de um sai algo inaudível, “cause anyone can see”, “anyone can see trought me” e acabam conjuntamente. “Run for Love”, bateria, 2X2, teclados progressivos com efeitos psicadélicos, “I fly”, coro: “OOOO Won`t you see”, Joan: “I want to talk about the future”, “make love”, canto desconcertante possuído, coro, “Won`t you see”, Joan: “AAAAA”, teclado em loop, “you can call me criminal”, “stop so easily”, rock-blues. “Flash”, “slow the clouds”, imaginem um céu com nuvens a flutuar no céu, que escarram: “I have a flame”, em sussurro: “flame”, “ooOO”, “feel”, “I have a flame”, incontestavelmente fantasmagórico, com tensão. “Nervous”, a canção tem um ritmo de discoteca onde se instaura o bacanal, coro: “SEEE”, Joan “long ago”, solo do teclado, orgão, “rape me”, teclado fantasmagórico, “but you said, you want a friend”, coro: “you see”, Joan artilha o braço da guitarra, coro: “OOOO”. As unhas vermelhas de Joan sobem a escala do braço da guitarra e incendeia-o com distorção, e a partir do maneio da guitarra o seu corpo contorce-se ligeiramente, lentamente ou rapidamente, pouco importa. Dirige-se desta forma ao público, penitente de Estarreja: “You are OK? In your seats?”, erótico. “Save me”, blues com break-beats, “I Don`t want to live for tomorrow”. Décimo tema: “Kiss”, começado com conversa entre Joan e o baterista, “I find in the morning”, blues linear, “forever”, “chance forever”, “Is she in Love? I think I `m in Love”, “turn in the sky”, “loooove”, “dream” linear. Joan: “This is our five show in Portugal, that`s nice. I have to say that I never been here before. But it`s lovely. I `m terrify to say the name of your town. But the people in Guimarães teached me, last night” e expira num sussuro grutural: “Estarrejaaaa”.

“The Deep Field”, Joan as Police Woman, 17 de Março Cine Teatro de Estarreja @ Estarreja

Susan Sontag

  O tecelão que se encontra atrás da bateria de Simon Gilbert dos Suede são duas carcaças entre as quais deveria constar Brett Anderson tal ...